
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante sanção do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 — Foto: Wallison Breno/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quinta-feira (14), as restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao uso de inteligência artificial (IA) nas eleições deste ano, e disse que não aceitará o uso desse tipo de ferramenta em sua campanha política.
A declaração foi feita durante a entrega de casas do programa Minha Casa Minha Vida em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA).
Lula comentava a regra já aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que restringe o uso de ferramentas de IA nas 72 horas antes da votação.
"Se a gente quiser, pode fazer o Lula artificial, fazer comício, 27 comícios em 27 estados no mesmo horário. Eu to lá, mas não to. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política, porque, se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos dele, para saber quem está mentindo. E vocês estão vendo na televisão: a verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia. A mentira tem perna curta, ela pode causar prejuízo. Vocês viram o que fizeram comigo para que eu não fosse candidato em 2018", afirmou o presidente .
➡️A Corte Eleitoral proibiu a publicação e republicação — de forma gratuita ou por impulsionamento pago — de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA no período de 72 horas (3 dias) que antecedem o pleito, e 24 horas após as eleições.
O presidente afirmou que ficou sabendo da determinação durante a posse do ministro Nunes Marques como presidente do TSE, na última terça-feira (12).
Na fala, Lula defendeu que o uso de IA pode ser tratado como "uma mentira".
"Fui pra casa pensando, mas será? Porque a IA ajuda muito, ajuda na saúde, educação, tecnologia, tem importância muito grande. Mas, na eleição, será que é necessário Inteligência Artificial?", questionou.
Parte do público reunido respondeu que "não". Ele prosseguiu: "Na eleição, as pessoas têm que votar em uma coisa, verdadeira de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira".
Lula defendeu, ainda, que uso de inteligência artificial durante as eleições pode acabar “servindo aos mentirosos” ao facilitar a disseminação de conteúdos falsos e manipulações digitais.
Então, ele citou o uso de inteligência artificial para retratar imagens de pessoas que não estão, de fato, no local. Foi o momento em que o petista falou sobre imagem para fazer comício em lugares ao mesmo tempo.
"Eu estou lá, e não estou. E confesso a vocês, um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu [mãe de Lula], não aceitará IA para fazer campanha política", declarou.
Proibição de IA
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, em março deste ano, uma resolução que estabelece as regras de propaganda eleitoral para as eleições de 2026.
Entre as medidas, o texto proíbe a publicação, republicação ou impulsionamento de conteúdos produzidos com inteligência artificial nas 72 horas que antecedem o dia da votação.
Em caso de descumprimento, a norma prevê a remoção imediata do conteúdo ou até a indisponibilidade do serviço, seja por iniciativa das plataformas ou por determinação da Justiça Eleitoral.
A resolução, aprovada por unanimidade pelos ministros do TSE, também determina que empresas de inteligência artificial não poderão “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar” candidatos, partidos, federações, coligações ou campanhas eleitorais.
