
Presidente Lula discursa na abertura da 4.ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da CELAC e da UE — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Sem citar diretamente os Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou - neste domingo (9) - a intervenção militar em países da América Latina e do Caribe e afirmou que manobras retóricas antigas são utilizadas para justificar ações 'ilegais'.
"A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional", disse o presidente.
As declarações foram dadas durante participação na 4ª Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia, no domingo.
Os governos dos Estados Unidos e da Venezuela têm trocado ameaças após a intensificação de ataques militares norte-americanos a embarcações na região caribenha.
Os americanos afirmam que os ataques fazem parte do combate ao narcotráfico e já deslocaram grande efetivo militar para a região. Trump já disse que o regime de Maduro no país sul-americano está "com os dias contados" e não descartou ações terrestres.
Já o governo de Maduro afirma que os americanos estão agindo para desestabilizar o regime –inclusive com participação da CIA, a agência de inteligência norte-americana – e acusa Trump de estar "fabricando" uma nova guerra.
Mercosul
Lula defendeu ainda que o Mercosul e a União Europeia aproveitem a próxima Cúpula do bloco sul-americano, em dezembro, para selar um acordo comercial “baseado em regras” e “em resposta ao unilateralismo”.
"Na próxima Cúpula do MERCOSUL, em dezembro, espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim para o comércio internacional baseado em regras como resposta ao unilateralismo", afirmou Lula, ao discursar na da IV Cúpula CELAC-UE, na Colômbia.
Segundo o presidente, o instrumento possibilitará a formação de um mercado de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de 22 trilhões de dólares.
Criminalidade
Em seu discurso, Lula defendeu a integração entre os países para atacar as organizações criminosas. Entre as propostas intercâmbio de informações e operações conjuntas como formas de trabalho conjunto para atacar as organizações criminosas.
"Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente. Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são fundamentais para que a gente consiga vencer", destacou o presidente.
Além disso, Lula voltou a repetir que para o combate ao crime organizado ser efetivo é preciso atacar o "financeiro" das organizações.
"É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas. O alcance transnacional do crime coloca à prova nossa capacidade de cooperação", defendeu o presidente.
