
Ahmed al-Sharaa e Lula - Foto: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionou nesta quinta-feira (6) o líder sírio Ahmed al-Sharaa, presidente da Síria e ex-comandante ligado à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, na abertura dos preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, capital do Pará. O encontro, marcado por simbolismos diplomáticos em meio à instabilidade no Oriente Médio, reforçou laços entre Brasil e Síria após a recente derrubada do ex-presidente Bashar al-Assad.
Ahmed al-Sharaa, descrito como uma figura controversa por seu passado em organizações terroristas, chegou à cidade como chefe de Estado sírio em um momento de transição para o país árabe. O líder, que assumiu o poder recentemente, foi recebido com honras protocolares por Lula, em um gesto que visa promover a cooperação bilateral em um contexto de turbulências regionais. A reunião bilateral serviu para discutir agendas comuns, com ênfase na estabilidade política e na inserção da Síria em fóruns internacionais, como a conferência climática.
Antes mesmo de sua chegada ao Brasil, al-Sharaa ganhou holofotes internacionais graças a comentários elogiosos do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em conversa com jornalistas que acompanham a delegação do governo americano em uma gira pelo Oriente Médio, Trump se referiu ao sírio como "um cara jovem e bonito". Ele prosseguiu, descrevendo al-Sharaa como "um cara durão, com um passado muito forte", destacando a resiliência do líder em meio a seu histórico ligado à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.
Os elogios de Trump, feitos em tom informal, contrastam com o perfil complexo de al-Sharaa, que evoluiu de militante extremista para chefe de Estado. Sua ascensão ao poder na Síria, após a queda de Assad, tem sido vista como um capítulo de reviravoltas na política regional, e sua presença na COP30 sinaliza uma tentativa de reinserção diplomática.
A COP30, programada para ocorrer de 10 a 21 de novembro em Belém, reunirá chefes de Estado, ministros, diplomatas, representantes da ONU, cientistas, líderes empresariais, ONGs, ativistas e membros da sociedade civil de mais de 190 países. O evento, sediado pela primeira vez na Amazônia brasileira, priorizará práticas sustentáveis para mitigar o impacto ambiental da própria conferência.
Entre os temas centrais, destacam-se a compensação de emissões de carbono, o uso de energia renovável nas instalações do encontro e a promoção de uma economia circular, com ênfase na reciclagem e na reutilização de materiais. A escolha de Belém como sede reforça o compromisso global com a preservação da floresta amazônica, integrando discussões climáticas a realidades locais de biodiversidade e desafios socioambientais.
A recepção de al-Sharaa por Lula ocorre em um calendário apertado de preparativos, com delegações internacionais já chegando à capital paraense. Analistas veem no gesto uma estratégia do Brasil para ampliar sua influência diplomática, convidando líderes de nações em transição para diálogos multilaterais. Enquanto a Síria busca estabilidade pós-Assad, o Brasil se posiciona como ponte para o diálogo Sul-Sul, unindo agendas climáticas e geopolíticas.
O encontro entre os dois presidentes, embora breve, foi descrito por fontes próximas como "frutífero", com compromissos iniciais de cooperação em áreas como comércio e meio ambiente. Com a abertura oficial da COP30 a apenas três dias, Belém se prepara para ser o epicentro de debates que moldarão o futuro climático do planeta – e, quiçá, de novas alianças inesperadas.
