
Leilões imobiliários avançam com inadimplência de famílias brasileiras — Foto: Imagem: Reprodução/ TV Globo
A dificuldade que os brasileiros têm enfrentado para pagar as contas, as prestações de financiamento imobiliário, está aumentando o volume de leilões de casas e apartamentos dos inadimplentes.
Nas grandes cidades brasileiras, um tipo de negócio cresceu este ano bem mais do que qualquer setor da economia: o mercado de leilões de imóveis. A venda pública de casas, apartamentos e terrenos pelo maior lance.
"A gente teve um cenário devastador de um aumento de 80% no número de leilões. Então do mesmo jeito que tínhamos em 2018, por mês, 200 imóveis loteados em um edital de leilão, agora a tem de 800 a 1000. É um procedimento bem rápido e direto. Se a gente falar, na ponta da lei, o primeiro passo seria notificar a dívida e depois de 15 dias, se você não paga a dívida integral, se for citado corretamente, a gente tem já a consolidação registrada na matrícula e após 60 dias para o leilão acontecer. Então a gente está falando que, dentro de um semestre, você perde o imóvel", diz a advogada especialista em direito imobiliário Natália Roxo.
Pode ser chamado de oportunidade. Mas é também o capítulo final de uma história de perdas. Grande parte dos imóveis anunciados nesses leilões foi retomada de brasileiros que não conseguiram pagar dívidas de financiamento, condomínio e impostos. O crescimento exponencial desse mercado aponta para um conflito em que não são só os devedores que perdem, dizem os economistas.
A professora de Direito Econômico da USP destaca o nível de endividamento das famílias. Hoje, quase 8 entre 10 brasileiros estão endividados, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
"Tenham a certeza de só assumir compromissos financeiros que sejam perfeitamente encaixados no seu orçamento. Num país com tanta informalidade como o Brasil, com ciclos de economia curtos e contratos de financiamento longos, os problemas acontecerão", complementa a professora.
