


Keiko Fujimori fez seu primeiro discurso como vencedora do segundo turno da eleição presidencial no Peru. Nesta quarta-feira (25), em Lima, ela afirmou estar pronta para governar o país e prometeu trabalhar para "unir um país dividido", após uma eleição marcada por forte polarização e acusações de fraude.
Fujimori evitou responder diretamente ao adversário, o esquerdista Roberto Sánchez, e afirmou que não pretende "alimentar a discórdia" e intensificar o clima de tensão no país. Segundo ela, o momento exige foco em propostas e na construção de um governo amplo e diverso, capaz de superar as divisões políticas e sociais que se instauraram.
"Abrimos um novo tempo, mas sabemos que o Peru está dividido em dois", afirmou Fujimori ao comentário o cenário político pós-eleição. "Vamos trabalhar pela reconciliação nacional e por um governo que inclua todos os peruanos, inclusive aqueles que não votaram em nós."
Com 99,8% das urnas apuradas, Fujimori soma 50,1% dos votos contra 49,8% de Sánchez, uma vantagem de 43.386 votos considerada irreversível pelas autoridades eleitorais. A vitória, no entanto, ainda não foi oficialmente proclamada, já que impugnações pendentes precisam ser analisadas pelos júris eleitorais até meados de julho.
A disputa foi marcada por uma contagem lenta e contestada, especialmente após o segundo turno, realizado em 7 de junho. O voto no exterior acabou sendo decisivo para consolidar a vantagem de Fujimori, enquanto a oposição questiona procedimentos e pede recontagem em diferentes instâncias.
Sánchez passou a sustentar a tese de fraude e afirmou que não reconhecerá o resultado, convocando mobilizações de seus apoiadores. As autoridades eleitorais, no entanto, rejeitaram até o momento as alegações por falta de provas e consideram o processo em fase final de validação.
Fujimori assume em meio a um país profundamente dividido e marcado por instabilidade política recorrente. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, reflexo de sucessivos confrontos entre Executivo e Legislativo, denúncias de corrupção e dificuldades para garantir estabilidade institucional.
Durante a campanha, Fujimori concentrou seu discurso na crise de segurança, tema central para o eleitorado peruano diante do aumento da criminalidade. Ela prometeu endurecer o combate ao crime com patrulhas militares nas ruas, deportação de imigrantes em situação irregular com histórico criminal e medidas de trabalho forçado em troca de alimentação.
A presidenta eleita também buscou associar sua proposta de governo ao legado de seu pai, Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru. Apesar de reconhecido por políticas econômicas e no combate a grupos armados, seu governo é lembrado também por denúncias de corrupção, violações de direitos humanos e acusações de autoritarismo.
