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Justiça manda soltar mulher alvo de sanção dos EUA por suspeita de ligação com o PCC e outros seis

Rádio Sampaio com G1
Publicado 08/07/2026
Victor Shimada, sócio da Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, sancionado pelo governo dos EUA em 1º de julho de 2026. — Foto: Reprodução/GloboNews

 

A Justiça Federal mandou soltar, na terça-feira (7), Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma das presas na Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro para traficantes da facção.

A decisão da 7ª Vara Criminal Federal revogou as prisões dos sete detidos na operação.

Ao mesmo tempo, a Justiça decretou a prisão preventiva de três investigados que não haviam sido localizados: Victor Henrique de Oliveira Shimada, Amauri Henrique de Oliveira e Ygor Fokin Saviolli. Apesar de aparecer como não localizado pela Justiça no Brasil, Ygor foi preso em janeiro nos EUA.

Em nota, a defesa de Stella informou que "em respeito ao segredo de justiça que recai sobre a investigação, não comentará o conteúdo da decisão nem os elementos constantes dos autos."

Entre os alvos da nova ordem de prisão está Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário sancionado na semana passada pelo governo dos Estados Unidos por supostamente integrar uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo a investigação da PF, ele seria uma espécie de "doleiro moderno" e teria utilizado mais de 70 empresas para movimentar recursos ilícitos.

Amauri Henrique de Oliveira, pai de Stella e tio de Shimada, é apontado como responsável pelo apoio logístico do esquema, incluindo transporte e recolhimento de dinheiro em espécie.

Já Ygor Fokin Saviolli é apontado pelos investigadores como líder da organização, responsável pela coordenação logística e pelo controle financeiro da estrutura criminosa. Ele foi preso no início deste ano pelo FBI durante uma fiscalização de fronteira em um aeroporto da Flórida, nos Estados Unidos.

Segundo os investigadores, Stella é prima de Victor Shimada e atuou como a secretária dele.

Quem são os investigados

A decisão da Justiça Federal decretou a prisão preventiva de seis investigados. Eles estão foragidos, exceto Ygor Fokin Saviolli:

Victor Henrique de Oliveira Shimada: apontado como líder do esquema e coordenador logístico e financeiro do grupo;

Ygor Fokin Saviolli: também apontado como líder do esquema, responsável pela coordenação logística e financeira e pelo controle da distribuição de drogas;

Amauri Henrique de Oliveira: responsável pelo apoio operacional e logístico, além do transporte e recolhimento de dinheiro em espécie;

Anderson Gonçalves Amaral: apontado como sócio-administrador da empresa Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., considerada a principal empresa usada para movimentar valores de origem ilícita;

Romany Cutolo Bonente ("Roma"): operador financeiro responsável por intermediar pagamentos diretamente com Victor;

Diego Lameiro Diz: operador financeiro que dava suporte às atividades de lavagem de dinheiro por meio da constituição de empresas de fachada no Brasil e nos Estados Unidos.

A juíza negou a conversão da prisão temporária em preventiva para outros sete investigados, que deverão ser soltos:

Carlos Henrique Costa Almeida: operador financeiro responsável por intermediar remessas de alto valor diretamente com Victor;

João Gilberto Codognotto ("Giba"): operador financeiro responsável por intermediar remessas de alto valor diretamente com Victor;

Gabriel Innocente: negociador de drogas, especialmente haxixe, e intermediador dos pagamentos dessas transações;

Jefferson Costa de Britis: contador das principais empresas usadas para movimentar valores de origem ilícita e procurador delas;

Leandro de Proença: operador financeiro responsável por realizar transações suspeitas de alto valor diretamente com Victor;

Paulo Roberto Macedo ("Urso"): operador financeiro responsável pelo recebimento, guarda, transporte e repasse de grandes quantias em dinheiro, em moeda nacional e estrangeira;

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: responsável pelo apoio operacional e logístico, transporte e recolhimento de dinheiro em espécie; segundo a investigação, é filha de Amauri Henrique de Oliveira.

A Operação Exchange foi deflagrada na semana passada pela PF para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos do tráfico internacional de drogas por meio de empresas, contas bancárias, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptomoedas.

Na ação, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços da capital paulista, de Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também houve determinação de sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados.

O que a investigação apura

De acordo com a Polícia Federal, os investigados usavam um sistema estruturado para movimentar recursos ilícitos, incluindo:

transferências de criptoativos;
transporte de valores, inclusive em espécie;
operações bancárias de alto valor;
repasses entre pessoas físicas e jurídicas;
outras atividades financeiras voltadas à ocultação da origem do dinheiro.

A suspeita é de que a estrutura tenha sido usada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Em tese, os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Sanções dos EUA

Na quarta-feira (1º), o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada foi incluído na lista de sanções do governo dos Estados Unidos. Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, ele atuaria como “elo-chave” entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais.

Os EUA afirmam que Shimada teria ajudado a lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, usando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome da facção.

Além dele, também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas autoridades americanas como colaboradora de Shimada e responsável por apoio logístico à coleta de grandes quantias em dinheiro.

Para despistar as autoridades, as investigações apontam que os dois usavam apelidos: Shimada era "o Japa"; Stella, "Lara Croft". Segundo a acusação, Stella organizava a coleta do dinheiro, e Shimada era o elo com os traficantes ligados ao PCC no Brasil.

As sanções impostas pelos Estados Unidos preveem o bloqueio de bens em território americano e atingem também empresas controladas, direta ou indiretamente, pelos alvos.

 

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