


A Justiça de Alagoas concedeu, na quinta-feira (2), liberdade provisória a João Victor dos Santos Oliveira, suspeito de gastar R$ 113 mil arrecadados em uma campanha para custear o tratamento médico do filho, Noah Gabriel.
Noah Gabriel, natural de Murici, na Zona da Mata de Alagoas, tinha 1 ano e 5 meses quando contraiu pneumonia, em 2025. Devido ao agravamento do quadro de saúde, a criança teve as mãos e os pés amputados. Após a repercussão do caso, o menino recebeu próteses.
João Victor estava preso desde janeiro de 2026, após investigações da Polícia Civil apontarem que ele teria gasto o dinheiro arrecadado com apostas virtuais, deixando apenas R$ 300 na conta destinada às doações.
Ele foi colocado em liberdade após a defesa alegar que a prisão preventiva havia sido fundamentada de forma genérica e que sua soltura não representava risco à ordem pública nem à instrução do processo.
De acordo com a decisão da juíza Paula de Goes Brito Pontes, da Vara de Ofício Único de Murici, o investigado deverá cumprir medidas cautelares, entre elas:
A Polícia Civil tomou ciência do caso após a mãe de Noah Gabriel registrar boletim de ocorrência em 13 de janeiro, quando percebeu que o dinheiro arrecadado não estava mais disponível.
O problema veio à tona no momento em que ela precisava custear uma viagem já marcada para São Paulo, onde o filho receberá próteses.
De acordo com o inquérito, uma conta bancária foi aberta em nome do pai para receber as doações, já que a mãe acompanhava o filho durante o período mais crítico da internação.
Após uma análise na conta bancária, foi constatado que praticamente todo o montante de R$ 113 mil teria sido gasto pelo investigado em apostas virtuais, restando aproximadamente R$ 300 na conta destinada ao tratamento.
Noah Gabriel, de 1 ano, natural de Murici (AL), começou a dar os primeiros passos com ajuda e com o uso de próteses durante sessões de reabilitação em São Paulo. “Essa prótese foi doada no ano passado, mas como é um caso bem atípico não tinha o pezinho do tamanho dele. Foi encomendado e demorou um pouco. Viemos para São Paulo e passamos cerca de 20 dias aqui para fazer todo esse processo”, disse Mikaelle Christina.
Segundo ela, a viagem para o tratamento contou com apoio da gestão municipal da cidade onde a família mora. Mesmo com o avanço no tratamento, Noah também precisa de sessões constantes de fisioterapia para continuar evoluindo. O acompanhamento deve durar por toda a vida.
