


O julgamento que manteve a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), expôs divergências entre ministros e evidenciou o clima de tensão em torno das investigações do Caso Master. A avaliação, segundo informações da jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, é de que a sessão foi além da análise sobre medidas cautelares e revelou posições mais explícitas dentro da Corte.
Durante o julgamento, o relator, ministro André Mendonça, sinalizou que as investigações estão longe do fim e indicou acompanhar de perto tentativas de enfraquecer ou interromper a apuração. Nos bastidores do Supremo, interlocutores apontam a existência de uma "guerra fria" em torno do caso, com expectativa de aumento da tensão à medida que novas etapas chegarem à Segunda Turma.
O ministro Kassio Nunes Marques acompanhou o voto do relator e defendeu a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, decisão que, segundo interlocutores, levou em consideração as provas reunidas e a gravidade dos fatos investigados.
Já o ministro Gilmar Mendes apresentou voto divergente, questionando a necessidade da prisão e alegando tratamento desigual em relação a outros investigados. Ele também sugeriu que a medida poderia servir para pressionar Daniel Vorcaro a firmar um acordo de delação premiada, comparação rebatida por André Mendonça, que afirmou que a prisão decorre da continuidade de supostos crimes atribuídos a Henrique Vorcaro.
O ministro Dias Toffoli não participou da sessão. Para ministros ouvidos nos bastidores, o julgamento serviu como um retrato do momento vivido pelo STF no Caso Master, marcado por posições mais definidas, recados diretos e um ambiente de crescente tensão entre os integrantes da Corte.
