
Jovem alagoano se torna referência na confeitaria artística
De uma cozinha nos fundos de uma bar no bairro do Jacintinho, periferia de Maceió, a um ateliê localizado no metro quadrado mais caro da capital, na Ponta Verde. O gastrólogo José Douglas Santos tem 14 prêmios na área de gastronomia e reconhecimento internacional: "Estou realizando tudo o que sempre sonhei".
Com apenas 24 anos, Douglas é dono de mãos super habilidosas e que fazem verdadeiras esculturas comestíveis. "Eu sempre quis viver da gastronomia, desde criança. Tudo o que sonhei e projetei, estou conquistando. Eu tenho no meu currículo 3 prêmios internacionais na área de confeitaria. Foram anos de dedicação, horas de treinos, muito estudo e hoje eu vejo que todas as noites em claro valeram a pena", comemora.
Douglas começou a fazer bolos com 12 anos. Ele morava nos fundos do bar do tio, com a mãe e a tia. Foi em uma cozinha improvisada que o sonho de viver dos seus bolos começou. Os primeiros a experimentarem suas delícias foram os parentes.
"Lembro que fiz um bolo em formato de peru. Consegui enganar a todos. Quando chegou a hora de cortar o peru, todo mundo ficou surpreso que era um bolo. Nesse ano ficamos sem peru, só com o bolo", brinca.
Ele atendia suas clientes de forma improvisada. A casa nos fundos do bar tinha apenas uma cozinha (que virou ateliê), a sala e o quarto onde Douglas dormia. Ele passava horas se aperfeiçoando, testando e criando receitas.
"Lembro da minha primeira encomenda. Fique mega feliz. E olhe que, vendo as fotos, [os bolos] não eram tão bons, mas eu sempre fazia um bolo pensando em fazer melhor o próximo. E acho que isso me motivava a ir em busca dos meus sonhos", relembra.
A caminhada de Douglas nunca foi fácil, ele veio de uma família humilde e sempre enfrentou os desafios de morar na periferia. Ele pensava em fazer o curso de direito, mas a sua mãe já via o o futuro do filho e não queria que ele desperdiçasse o talento em outra área que não o fizesse feliz.
"Minha mãe chegou um dia e me disse: pra quê fazer direito? Porque você não faz gastronomia? Tem muito mais a ver com o que você gosta e com o seu talento. E assim eu fiz. Fui atrás do meu sonho. Por mais difícil que fosse, eu nunca desisti dos meus sonhos", diz.
Em 2018, o cake designer já era tricampeão nacional de confeitaria artística, e pela primeira vez disputou um título internacional. "Ah, foi uma sensação incrível. Eu lembro que treinava mais de 12 horas por dia, queria atingir a perfeição. E deu certo. Hoje eu tenho 3 prêmios internacionais, sou o cake designer mais novo com o maior número de prêmios", conta, orgulhoso.
Além dos bolos de casamento, Douglas oferece mentorias e também possui um e-book com várias receitas, todas criadas por ele e usadas no seu dia a dia. "Preparei tudo com muito carinho, tudo muito exclusivo".
Douglas sempre quis poder atender melhor os clientes que o procuravam. Ele recebia todos na sala de casa ou na cozinha improvisada.
Foi com muito esforço que ele conseguiu sair dos fundos do bar da casa do tio e abrir o seu primeiro ateliê no metro quadrado mais caro de Maceió.
"Hoje eu emprego quatro pessoas, que trabalham diretamente comigo. Eu só atendo noivas, de 4 a 5 bolo no mês, e me dedico às mentorias, a ensinar outras pessoas a viverem de bolos e conquistarem a sua independência. Isso não tem preço que pague", explica.
Sobre as mentorias, o cake designer diz que tem clientes de todas as partes do mundo. "A última foi do Moçambique. Eu ensino a elas que o bolo além de lindo e saboroso precisa ser firme para chegar até a festa do cliente. Eu ensino os truques e como elas podem ser mais confiantes".
