
JHC e Arthur Lira- Foto: Assessoria
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), ainda não declarou nada publicamente - porém já teria sinalizado a aliados que vai cumprir o mandato até o fim, encerrando expectativas de uma candidatura ao governo do estado em 2026.
A decisão teria gerado desconforto no deputado federal Arthur Lira, que queria um palanque com JHC para disputar o Senado. A informação é da jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no O Globo.
De acordo com a Coluna, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC, sinalizou a aliados que cumprirá o mandato até o fim, e não disputará o governo de Alagoas nas eleições do ano que vem. Essa foi a contrapartida prometida por ele ao governo Lula em troca da indicação de sua tia, Maria Marluce Caldas Bezerra, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ainda de acordo a jornalista, só tem um problema: a desistência contraria o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), que planeja concorrer ao Senado Federal na chapa de JHC.
Marluce teve a indicação aprovada pelo Senado na última quarta-feira (13), com 64 votos a favor e nenhum contrário. Atual procuradora do Ministério Público de Alagoas ela passou por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, onde esteve acompanhada por JHC.
A decisão do prefeito de permanecer no cargo favorece a família Calheiros no jogo político local. Sem a concorrência do prefeito, o caminho fica aberto para o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), disputar novamente o comando do estado que governou entre 2015 e 2022. O atual governador, Paulo Dantas (MDB), que trabalhou contra a indicação de Marluce, não pode disputar a reeleição.
Lira é adversário do clã e, nessa configuração, enfrentaria diretamente o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na corrida eleitoral. Em 2026 haverá duas vagas para o Senado em disputa, mas, além dos dois caciques políticos, também podem concorrer Dantas e o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil).
Nesse contexto, para Lira seria estratégico colar sua imagem a JHC como candidato ao governo, porque o prefeito comanda o maior colégio eleitoral do estado e aparece empatado com Renan Filho em algumas pesquisas.
A vaga no STJ para a qual Marluce foi escolhida agora está aberta desde outubro de 2023, mas Lula vinha protelando a indicação. O prefeito e outros aliados da nova ministra vinham fazendo campanha por ela desde então, mas o governo federal condicionou a nomeação à solução do impasse em Alagoas e exigiu de JHC o compromisso de não se candidatar ao governo. Ele, porém, não verbalizou o compromisso publicamente.
O prefeito ainda chegou a consultar Lira antes de fechar o acordo com Lula, mas o ex-presidente da Câmara disse que não só não endossava o acerto como esperava que JHC que cumprisse o acordo que já tinha sido feito entre eles antes, de formar uma chapa em 2026.
Nos últimos dias, aliados do prefeito disseram à equipe da coluna que o prefeito está disposto a cumprir a palavra dada a Lula e não se candidatar a nada nas próximas eleições.
Em Alagoas, a piada entre aliados e adversários é que o difícil é saber qual acordo JHC vai cumprir – ou, em outras palavras, quem ele vai deixar na mão.
“Não dá para saber se, depois que Marluce já estiver nomeada, JHC realmente vai cumprir a promessa feita a Lula, dado o seu histórico de promessas não cumpridas”, alfinetou um interlocutor de Lira.
