


O regime teocrático iraniano ampliou o uso de tecnologias, incluindo reconhecimento facial, drones e aplicativos, para aumentar a vigilância sobre o uso do hijab, o véu muçulmano, pelas mulheres do país.
A modernização das formas de vigilância usadas pelo governo de Teerã, bem como o aumento da repressão do regime a dissidências e manifestantes pela liberdade feminina, foram apontados em um relatório da ONU na sexta-feira (14).
As conclusões da Missão Internacional Independente de Investigação de Fatos das Nações Unidas sobre o Irã — lançada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em novembro de 2022, na esteira da repressão do governo aos protestos "Mulheres, Vida, Liberdade", que surgiram após a morte da jovem Mahsa Amini — apontaram a existência de um tipo de vigilância "patrocinado pelo Estado" com o objetivo de "sufocar a dissidência, perpetuando um clima de medo e impunidade sistemática".
O relatório reuniu evidências deque o governo iraniano fez uso de drones em Teerã e no sul do país, em abril de 2024, para monitorar se as mulheres estavam se vestindo em conformidade com as leis sobre o hijab.
A integrante da missão, Shaheen Sardar Ali, apontou também para um "aumento assustador da vigilância" por meio de aplicativos e tecnologia de reconhecimento facial "de longo alcance e altamente intrusivo", com o objetivo específico de monitorar "o que uma mulher veste ou não veste".
A missão relatou, também, que observou o confisco de veículos de mulheres por supostas violações das leis de vestimenta.