


Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos detido em meio à onda de protestos no Irã, que já duram mais de duas semanas e deixaram centenas de mortos, deverá ser executado nesta quarta-feira, segundo a Organização Hengaw para os Direitos Humanos. A família de Soltani, que foi preso na última quinta-feira, foi informada sobre a execução, embora não tenha recebido nenhuma informação sobre quando o julgamento ocorreu nem sobre quais são as acusações contra ele.
— Nunca testemunhamos um caso avançar tão rapidamente — afirmou Awyar Shekhi, da organização, à rede britânica BBC. — O governo está usando todas as táticas que conhece para suprimir as pessoas e espalhar medo.
Pode levar algum tempo até que se conheça a real dimensão do derramamento de sangue ocorrido em meio ao apagão da internet, imposto pelo regime também na última quinta-feira como forma de repressão — mas iranianos que conseguiram ligar para fora do país estão relatando a parentes no exterior níveis terríveis de mortes e destruição.
De acordo com a BBC, a cidade de Rasht, na costa do Mar Cáspio, foi descrita por um morador como irreconhecível.
— Tudo está queimado pelo fogo — disse.
Estimativas mais conservadoras apontam que cerca de 650 pessoas morreram — embora uma autoridade iraniana ouvida em anonimato pela Reuters nesta terça-feira tenha falado em 2 mil mortos. Sem informações atualizadas sobre os acontecimentos no solo por conta do apagão de internet, muitos grupos internacionais, como a Iran Human Rights, com sede na Noruega, têm divulgado números oficiais, de casos que conseguiram confirmar que houve mortes e prisões, e projeções. Na segunda-feira, a organização falou em estimativas de até 6 mil mortos e 10 mil detidos.
Desde 28 de dezembro, os atos se intensificaram e se espalharam por mais de 100 cidades e vilas em todas as 31 províncias do Irã, de acordo com grupos de direitos humanos. Apesar do bloqueio quase total da internet, que dificulta a comunicação e a verificação das informações, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram centenas de pessoas nas ruas, além de incêndios em equipamentos públicos e corpos enfileirados dentro de sacos do lado de fora de hospitais.
A crise crescente, que começou como um protesto contra problemas econômicos no final do ano passado, representa o que alguns especialistas consideram um dos maiores desafios às autoridades desde a Revolução Islâmica, em 1979. As manifestações rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime teocrático que governa o Irã há quase cinco décadas.