Investigações da PF sobre combate ao coronavírus incluíram três governadores

Investigações da PF sobre combate ao coronavírus incluíram três governadores

Na esteira do avanço da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) pelo país, e com a canalização de recursos destinados para a área da saúde, a Polícia Federal (PF) passou a investigar supostas irregularidades pelo país.

Desde fevereiro, pelo menos 28 operações que investigam irregularidades desde a compra de respiradores até a construção de hospitais de campanha já foram deflagradas em ao menos 16 estados.

Em 28/8, o governador Wilson Witzel (PSC) foi afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por irregularidades em contratos na saúde. A ordem de afastamento e os mandados de prisão ocorreu decorrência das investigações da Operação Favorito e da Operação Placebo, de maio.

Em 30/6, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), foi alvo de mandado de busca e apreensão numa operação que apura desvios na compra de respiradores. Em 10/6, o alvo da operação da PF Bellum tinha sido o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

No dia seguinte à operação Placebo, o presidente da República Jair Bolsonaro afirmou que teriam novas operações da PF nos estados. “Vai ter mais, enquanto eu for presidente, vai ter mais. No Brasil todo. Isso não é informação privilegiada não, vão falar que é informação privilegiada”, disse.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das principais aliadas de Bolsonaro no Congresso, havia antecipado em entrevista, no dia 25 de maio, que a PF estava prestes a deflagrar operações contra desvios na área da saúde nos estados.

28/8 – Rio de Janeiro – STJ afasta Witzel

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento imediato do governador Wilson Witzel (PSC) do cargo por irregularidades na saúde apuradas na Operação Favorito e na Operação Placebo. O tribunal também expediu mandados de prisão contra o Pastor Everaldo, presidente do partido; Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico; Sebastião Gothardo Netto, médico e ex-prefeito de Volta Redonda.

18/8 – Amapá – Máscara de Ferro

A operação Máscara de Ferro, deflagrada no Amapá, investiga fraudes em licitação e desvio de dinheiro público destinados ao combate do novo coronavírus em Vitória do Jari, a 213 quilômetros de Macapá. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão no município e na capital. Um investigado que atua na Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Jari foi afastado do cargo por meio de medida cautelar, informou a PF.

13/08 – Piauí – NaClo

Investiga suposto desvio de recursos federais destinados ao combate da pandemia de coronavírus na cidade de União, no Piauí. Segundo a PF, licitações para compra de produtos de limpeza teriam sido superfaturadas. A investigação aponta que a prefeitura teria comprado mais de 6 mil galões de água sanitária com valores superfaturados. O produto, que segundo a PF custa em média R$ 20, foi comprado por mais do dobro do preço, R$ 48,80. Ao todo, a prefeitura gastou R$ 293 mil. A água sanitária seria utilizada para higienizar as ruas da cidade. Foram cumpridos mandados de busca na sede da Secretaria de Saúde e na prefeitura de União; e nas sedes de duas empresas que teriam participado da fraude, em Teresina.


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