


Os Estados Unidos divulgaram, na sexta-feira (22), informações desclassificadas (retiradas de sigilo) recentemente que sugerem que o Irã esteve “profundamente envolvido no planejamento das operações contra navios comerciais no Mar Vermelho”, disse a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, a Adrienne Watson, à CNN.
Os rebeldes Houthi apoiados pelo Irã lançaram mais de 100 ataques contra cerca de uma dúzia de navios comerciais e mercantes que transitavam pelo Mar Vermelho nas últimas quatro semanas, informou anteriormente a CNN.
As informações de inteligência recentemente desclassificadas sugerem que “o apoio iraniano durante a crise de Gaza permitiu aos Houthis lançar ataques contra Israel e alvos marítimos, embora o Irã tenha frequentemente transferido a autoridade de tomada de decisão operacional para os Houthis”, destacou Watson.
Na terça-feira (19), um militar de alta patente dos EUA afirmou que os iranianos estão operando no Mar Vermelho, após ter sido questionado se o Irã está ajudando os Houthis a selecionar alvos. Mas esse agente pontuou que os ataques Houthi foram amplamente indiscriminados.
“O Irã tem a opção de fornecer ou reter este apoio, sem o qual os Houthis teriam dificuldade em localizar e atacar de maneira eficaz os navios comerciais que navegam nas rotas marítimas através do Mar Vermelho e do Golfo de Aden”, explicou Watson.
A inteligência também sugere que os iranianos forneceram sistemas de monitoramento aos Houthis que permitem operar no espaço marítimo, adicionou a porta-voz.
“A inteligência tática fornecida pelo Irã tem sido fundamental para permitir que os Houthi ataquem embarcações marítimas desde que o grupo iniciou os ataques em novembro”, acrescentou ela.
Problemas na economia
O Mar Vermelho tem uma das rotas comerciais marítimas mais importantes do mundo, e os ataques tiveram grande repercussão, com ao menos 44 países tendo ligações a navios atacados pelos Houthis. Além disso, o comércio internacional em geral foi afetado.
Os ataques aumentaram desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque terrorista de 7 de Outubro que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel.
À medida que Israel intensificava a sua ofensiva, os Houthis começaram a atacar navios, que acusavam de apoiar o esforço de guerra de Israel, embora várias empresas atingidas tenham dito que não têm qualquer ligação com Israel ou com a guerra.
Algumas das maiores companhias do mundo, incluindo a gigante petrolífera BP e a empresa de transporte marítimo Maersk, anunciaram que iriam suspender as suas operações no Mar Vermelho devido aos contínuos ataques aos navios nas últimas semanas.
Os preços do petróleo e do gás subiram acentuadamente após o anúncio da BP.
Os Houthis, um dos grupos envolvidos na guerra civil brutal que dura há uma década no Iémen, disseram que os seus ataques são uma retaliação à campanha militar de Israel contra Gaza. No entanto, nem todos os navios visados pelo grupo têm ligações diretas com Israel.
Os Houthis fizeram atualizações graduais em seu armamento e poder de fogo e atacaram navios comerciais usando drones e mísseis anti-navio.
Um porta-voz Houthi afirmou à rede de notícias Al Jazeera no início desta semana que o grupo enfrentaria qualquer coalizão liderada pelos EUA no Mar Vermelho.