Ignorado pelo mundo, conflito no Congo matou mais de 7 mil pessoas desde janeiro

crédito: Michel Lunanga/AFP

A primeira-ministra da República Democrática do Congo, Judith Suminwa Tulukaafirmou que o conflito no leste do país, provocado pelo grupo antigovernamental congolês Movimento 23 de Março (M23), matou mais de 7 mil pessoadesde janeiro. O pronunciamento ocorreu em reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra.

“A situação de segurança no leste da República Democrática do Congo atingiu níveis alarmantes”, afirmou Tuluka, de acordo com a agência de notícias France-Presse. Segundo ela, os mais de 7 mil “compatriotas” que morreram desde o início do conflito ainda não foram todos identificados, mas haveria, entre eles, “proporção significativa de civis”.

De maioria tutsi, o M23 diz que deseja “libertar toda” a República do Congo, a fim de proteger a etnia, e “expulsar” o presidente congolês, Felix Tshisekedi.

Ruanda, país que vizinho ao Congo, nega que tenha tropas mobilizadas em apoio ao grupo armado - embora autoridades congolesas denunciem a presença de mais de 4 mil soldados ruandeses no leste do país.

Embora o Congo acuse Ruanda de querer controlar uma área rica em ouro e minerais indispensáveis para o setor tecnológico, a nação comandada por Paul Kagame diz garantir a própria segurança ao ter como objetivo erradicar grupos armados na região — em especial as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), formadas por hutus responsáveis pelo genocídio tutsi em 1994 e supostamente apoiadas pelo governo de Tshisekedi.

Entenda o conflito no leste da RD Congo

A fronteira entre República Democrática do Congo e Ruanda sofre com conflitos e violências históricas, que culminaram em um genocídio da etnia tutsi em Ruanda, em 1994. Desde então, rivalidades regionais, disputas étnicas e combates entre grupos armados foram agravados nos territórios próximos à divisa e ocorrem por mais de 30 anos. 

Desde que ressurgiu, em 2021, o grupo antigovernamental de maioria tutsi M23, da RD Congo, vive em confronto com o exército do próprio país e tomou diversos territórios congoleses. No fim de janeiro deste ano, o conflito se intensificou e contou, de acordo com autoridades congolesas, com a entrada de mais de 3 mil soldados de Ruanda. 

 

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