
Grávida de 9 meses tem casa destruída pela enchente em Murici
Grávida de 9 meses, a dona de casa Maria Francisca da Silva foi uma das 68 mil pessoas que tiveram que deixar suas casas por causa dos temporais no estado. Nesta quinta-feira (7), ela contou que teve a casa destruída quando o rio transbordou em Murici, na Zona da Mata. “A gente trabalha muito para construir as coisas… custa que só e, em segundos, perde tudo”, lamentou.
Maria é mãe de outras duas crianças e, como outros milhares de alagoanos, agora depende de doações e da solidariedade dos vizinhos. Morando no mesmo lugar há 10 anos, essa foi a primeira vez que a água chegou em um nível tão alto e em tão pouco tempo.
"Não achamos que ia encher muito. Fui na casa de uma vizinha e quando voltei, a água já estava na cintura. Só deu tempo de tirar meus dois filhos. Quando voltei para pegar meus documentos, não deu tempo, água já estava na altura dos peitos”, disse Maria Francisca.
A dona de casa lembra que, quando a chuva começou, no último fim de semana, a família ficou em alerta, mas não esperava que a enchente tomasse essa dimensão, porque estava acostumada a pequenos alagamentos. "A água sempre chegava e dava no meio da perna. Aí a gente suspendia as coisas e quando a água baixava, limpava tudo".
Maria disse que tudo aconteceu muito rápido. “A água levou cerca de 3 a 4 dias [de chuva], para chegar à minha casa. Mas no dia que chegou, foi muito rápido. Chegou a uns 2 metros em meia hora. Perdi tudo”, contou a dona de casa.
Passado o susto inicial da perda, agora ela e o marido tentam encontrar meios de reconstruir a vida. “Eu trabalho em casa, cuido das crianças. Ele faz bico, mexe massa para pedreiro, cuida de cavalos, faz de tudo. No momento está sem trabalhar e eu espero que ele consiga um trabalho logo”.
Agora sem casa, a família está vivendo na residência de um vizinho e vai se virando como pode. “Pedi a ele e ele deixou que a gente viesse para cá”.
“Recebi uma cesta básica, uns 3 ou 4 conjuntinhos de bebê em uma bolsa. Minhas filhas, receberam umas blusinhas, umas bermudinhas. A gente também recebeu um material de construção de um homem de Rio Largo...”, diz Maria Francisca, agradecendo a solidariedade fundamental nesse momento.
Enquanto a reconstrução dos bens materiais da família não começa, Maria celebra a vida dos filhos. “Meu bebê nasce daqui para o dia 20. A gente fica triste com o que perdeu, mas o que importa é que salvei meus filhos”.
