
Lula e Putin Crédito: Ricardo Stuckert e Divulgação
A Presidência de República impôs sigilo sobre a carta do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a Vladimir Putin, enviada em março, com cumprimentos pela reeleição do colega russo. O inteiro teor não foi divulgado na ocasião e agora o governo decidiu aplicar uma regra ainda mais restritiva.
A Casa Civil da Presidência da República negou um pedido com base na Lei de Acesso à Informação, datado de 20 de março, com o argumento de que o "sigilo de correspondência" tem como fundamento "proteger a vida privada e a intimidade" do presidente. Segundo o Palácio do Planalto, a carta foi escrita pelo "cidadão Lula".
RELAÇÃO PESSOAL
Na contramão desta decisão sobre Putin, o próprio Lula disse, nesta semana, que divulgaria o conteúdo da terceira carta enviada a ele pelo presidente da Argentina, Javier Milei. Lula e seu partido investem em relação amistosa com Putin - o que não ocorre com Milei. "O direito fundamental ao sigilo de correspondência pode ser invocado quando necessário para a proteção da vida privada e da intimidade do presidente da República", disse o governo.
O Planalto não especificou o prazo de vigência do sigilo, ao fim do qual a carta poderia se tornar pública. Servidores que analisaram pedidos similares entendem que cartas de viés pessoal podem ser mantidas em segredo por 100 anos - a não ser que haja consentimento expresso do remetente ou destinatário.
O pedido negado no dia 16 de abril solicitava o acesso à "íntegra da carta de Lula e Putin". Na resposta negativa, a Casa Civil lançou a alegação de mensagem de caráter pessoal. "Considerando as relações interpessoais que o presidente mantém cotidianamente, ainda que se tratem de correspondências mantidas com autoridades nacionais ou estrangeiras e mesmo que decorram do exercício do cargo, nem assim deixam de merecer a tutela dos direitos à intimidade e à privacidade."
Pró Rússia
O brasileiro já disse que ucranianos e russos tinham responsabilidades similares no conflito, apesar de a Ucrânia ter sido invadida, e sugeriu que Zelenski cedesse a Crimeia, anexada em 2014 por tropas russas, para encerrar a guerra. A proposta repercutiu mal e foi rejeitada.
Ainda assim, Lula insiste que não tomou partido de ninguém, defende uma negociação de paz e se diz um "pacifista". Nesta semana, ele despachou mais uma vez a Moscou o ex-chanceler Celso Amorim, seu assessor para assuntos internacionais.
Lula pretende se encontrar com Putin em outubro na cúpula do Brics, em Kazan, e pode recebê-lo no Brasil para o G-20, mesmo Putin tendo contra si um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crimes de guerra.
