
Julyo Cezar e Diego Souza-Foto: Arquivo Pessoal
Imagina estar perto do seu ídolo no esporte. Pensou? Pronto. Aos 10 anos, o pequeno rubro-negro Julyo Cezar fez do sonho realidade e viveu, na última terça-feira, uma tarde para lá de especial. Conheceu Diego Souza, atacante do Sport, o CT do clube e ainda recebeu o carinho do elenco.
"Foi um dia muito divertido, muito legal. Eu conheci os jogadores, o CT é muito grande, muito bonito, e eu gostei muito", festejou.
Tudo isso a partir de um abraço de generosidade. De quem conhece não só a Ilha do Retiro de perto, mas compartilhou com o próprio garoto uma trajetória de resignação (e venceu): o lateral-direito Eduardo. O jogador foi diagnosticado com um tumor ósseo na perna duas vezes e conseguiu superar.
Julyo passa por situação sofre de um meduloblastoma, câncer na região da cabeça.
O garoto recebeu diagnóstico em junho desse ano, precisou fazer cirurgia - a única sequela foi a perda da audição do lado esquerdo — e, hoje, enfrenta sessões de quimioterapia e internação na UTI. Assim que soube da notícia pela internet, Eduardo homenageou o garoto na vitória contra o Vila Nova.
Mas quem estava lá durante a recuperação? O Sport. Espelhado através da janela do quarto do hospital e marcado no coração (e na memória) de Julyo, trajado com as cores rubro-negras ao longo de todo o pós-operatório.
"Doze horas depois de operado, ainda sob efeito de medicamento, ele perguntou quanto tinha sido o jogo do Sport e disse que queria cantar músicas do Sport", conta, emocionado, o pai do garoto. A curiosidade é que o hospital dá visão para a Ilha, e todo dia ele ia na janela olhar o estádio. Todos os dias usou a camisa do Sport e bandeira lá no quarto.
Após a cirurgia, inclusive, o Sport convidou o rubro-negro para puxar o "Cazá Cazá" na Ilha do Retiro e, no início de setembro, recebeu visita de Eduardo em casa. Num extremo gesto de sensibilidade e apoio, o lateral-direito do Leão raspou a cabeça do garoto e a própria.
De lá para cá, Julyo passou por 30 sessões de quimioterapia e a previsão é de que em abril de 2024 elas terminem. Enquanto isso, além de idas à UTI por duas semanas a cada mês, dores no corpo, vômito e enjoos tomam conta do dia a dia do pequeno.
Sintomas, todos eles, apagados quando Julyo soube que visitaria Diego Souza e o CT do clube. A terapia pelo amor.
"Ele vem se alimentando pouco ou praticamente nada, sente muita náusea e dores fortes na barriga. Mas quando soube que iria no CT, se alimentou, mudou o ânimo. Todo tempo da visita não teve nenhum episódio de vômito ou náusea", confessa o pai, casado com Adriana, torcedora do Santa Cruz e também pai do caçula Antônio.
"Eduardo tem sido um anjo na vida do meu filho. Desde que soube do problema se fez presente em todos os momentos e foi através dele que fomos ao CT. É uma dívida eterna nossa com ele, porque meu filho ama muito o Sport. Vai além do sentimento ver a realização do meu filho. Não é apenas futebol. É um sentimento que traz forças para o meu filho viver e continuar na luta" — destaca.
