
Gabriel Monteiro é esperado nesta quinta para depor na Câmara do Rio
O Conselho de Ética da Câmara do Rio vai ouvir nesta quinta-feira (23) Gabriel Monteiro (PL). O vereador é o último a prestar depoimento no processo a que responde por quebra de decoro parlamentar.
Por causa do recesso, o relatório que pode recomendar a cassação do mandato do vereador só deve ser votado em agosto.
Na terça-feira (23), o delegado Luís Maurício Armond Campos, da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes), responsável pela condução do inquérito criminal que apura a divulgação de um vídeo do vereador fazendo sexo com uma menor de idade, entre outras denúncias, confirmou ao Conselho que Gabriel cometeu crime sexual.
O ex-policial militar e youtuber é investigado por denúncias de estupro, assédio e por forjar vídeos na internet.
De acordo com o delegado, o vereador também pode ser acusado por exposição de pessoas em vulnerabilidade, coação no curso do processo, peculato e utilização de servidores em funções diferentes do que deveriam ter.
Na opinião do vereador Chico Alencar (Psol), relator do processo ético-disciplinar por quebra de decoro contra Monteiro, o depoimento do delegado foi bastante positivo.
"O delegado da 42 DP confirmou que o inquérito que aborda a questão que ofende violentamente o Estatuto da Criança e do Adolescente, da menor de idade, ele está parcialmente concluído com a aferição de crime sexual, da ciência de que ela era menor de idade, da filmagem e do armazenamento das imagens. Isso por si só já configura um delito. Há também novas oitivas sobre coação e outras investigações. Sobre constrangimentos de menores, coação de testemunhas, suborno, peculato e investigação ainda preliminar de estupro. Por tanto é um cenário bastante nebuloso e com alguns elementos probatórios substantivos, disse o delegado", confirmou Chico Alencar.
O relator do processo ainda chamou de "gol contra" a estratégia dos advogados de defesa de Gabriel, que decidiram convocar o delegado responsável pelas principais investigações criminais desse caso.
"Os melhores times também fazem gol contra. O delegado agiu com muita isenção na oitiva", comentou Chico Alencar.
O segundo depoimento do dia foi do policial militar Pablo Foligno, que falou sobre sua participação em um vídeo com uma pessoa em situação de rua.
Na gravação, outro funcionário de Gabriel Monteiro aparece orientando um morador de rua a simular um furto e depois sofrer abordagem do vereador.
Pablo Foligno surge no vídeo após Gabriel abordar o homem em situação de rua. Nas imagens, o policial empurrar o homem no chão e faz diversas ameaças.
Aos membros do conselho, Pablo confirmou que a equipe de Gabriel ofereceu R$ 400 reais ao morador de rua para que ele participasse da ação que o vereador definiu como um "experimento social".
Para o presidente do conselho, o vereador Alexandre Isquierdo, o fato da ação ser batizada como experimento social não retira a possibilidade de constatar um crime.
"Apesar deles alegarem ser um experimento social, é notório ali um constrangimento. Como disse o delegado, uma motivação de um crime, isso a gente já percebeu. Inclusive com pessoas vulneráveis, pessoas necessitadas, como aquele morador de rua, onde é oferecido R$ 400 para ele forjar um crime. Como disse o Pablo, policial, o objetivo era forjar um crime para que o vereador Gabriel Monteiro pudesse abordar aquele cidadão e, talvez, dar uma lição de moral", comentou Isquierdo.
O delegado Maurício Armond também comentou o vídeo e reforçou o entendimento dos vereadores do conselho.
"O embasamento em si (experimento social) não vai afastar uma ilicitude do fato. (...) Não é todo experimento que é permitido. Nem todos os personagens, pelo que está sendo apurado, estariam conscientes dessa questão. Então não seria uma só encenação, haveria a possibilidade de acontecimentos imprevisíveis", completou o delegado.
Na terça-feira passada (14), foram ouvidas outras testemunhas de defesa indicadas pelo vereador: o assessor de marketing Rafael Murmura Ângelo, o ex-PM Miqueias Arcênio. Os dois integravam a equipe de Gabriel Monteiro na Câmara. Para o presidente da Comissão de Ética, vereador Alexandre Isquierdo, esses depoimentos pouco acrescentaram ao processo.
