
Foto: Mastrangelo Reino
Alexandre Nardoni, condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte da filha Isabella em 2008, deixou a Penitenciária II, em Tremembé (SP), na última segunda-feira (6). Em liberdade, ele passou a morar na cidade de São Paulo com a família e pretende trabalhar na construtora do pai.
A Justiça aceitou o pedido feito pela defesa e determinou a progressão de Alexandre ao regime aberto, desde que ele siga algumas regras determinadas pelo juiz. Para progredir de regime, no entanto, Nardoni precisou passar por um exame criminológico, no qual teve que responder perguntas sobre o crime, a vida pessoal dele e os planos que tinha para o futuro.
O parecer social emitido por uma assistente social, enquanto a defesa reivindicava a progressão ao regime aberto, apontou que Nardoni mantém a ideia de trabalhar com o seu pai, Antônio Nardoni, em sua construtora, localizada em Santana, na Zona Norte de São Paulo.
"Mantida proposta de trabalhar junto a seu genitor em sua construtora", diz trecho do parecer.
O documento cita ainda que, além de trabalhar com o pai, Nardoni também deve morar com o Antônio. A companheira dele, Anna Carolina Jatobá, também declarou o endereço do sogro à Justiça quando foi solta.
"Com a recente perda materna, em liberdade, passará a morar com seu pai, esposa, irmão e filhos, protelando sua saída em virtude do luto", continua.
A avaliação social cita ainda que Alexandre Nardoni é o mais velho de três irmãos e que estudou em colégios particulares, tendo se formado em Direito em 2006.
Na adolescência, dos 14 aos 15 anos, trabalhou como office boy em uma empresa de recursos humanos, e aos 16, abriu o próprio comércio no ramo de confecções de roupas, se especializando em roupas para surfe.
Nardoni ficou por seis anos na loja de surfe e deixou o comércio para atuar na área de consultoria jurídica -- função que permaneceu praticando até ser preso, em 2008.
O Ministério Público de São Paulo entrou com recurso contra o regime aberto para Nardoni, mas ainda não foi julgado.
Após a decisão da Justiça, que permitiu a progressão de Nardoni ao regime aberto, o advogado Roberto Podval, que representa Alexandre, informou que "a decisão é irretocável" e que "se não pensarmos na ideia de reabilitação, a pena terá um efeito perverso".
