Família denuncia que idosa foi espancada em hospital de Maceió

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 29/03/2022

Hospital Portugal Ramalho, em Maceió

Familiares de uma paciente de 60 anos do Hospital Portugal Ramalho, em Maceió, denunciam que a idosa foi amarrada e agredida dentro da unidade psiquiátrica. A família fez um Boletim de Ocorrência para registrar a denúncia e aguarda a autorização para um exame de corpo de delito.

A mulher está com hematomas no rosto, braços e pernas. Os parentes contam que ela passou dez dias internada no hospital quando a filha recebeu uma ligação dos funcionários informando que a mãe havia levado uma queda.

"A minha mãe estava internada, foi internada no dia 14 desse mês e no dia 23 uma enfermeira nos passou a informação sobre ela, me ligou dizendo que ela tinha caído e 'ralado' o joelho, e o hospital iria mandar ela para a UPA do Jaraguá para fazer um Raio-X, que ficou um pouco machucado. Até aí, tudo bem. Depois ela nos informou que mais tarde ela voltaria para o Portugal Ramalho. Só que passou o restante do dia, a noite e ela não me retornou dizendo que ela tinha retornado para o hospital. Desci para o trabalho na quinta-feira, dia 24, eu decidi ir na UPA porque achei estranho, não me falaram mais nada", relatou a filha Elielma da Silva.

Ao chegar a na UPA, a filha observou os machucados espalhados pelo corpo da mãe, que estava amarrada. A família resolveu levar a paciente para casa. Segundo Elielma, ela chorou muito quando chegou e contou que apanhou quando estava internada no hospital.

A advogada da família afirma que os hematomas não são compatíveis com uma queda.

"Já pedimos um requerimento para que seja feito um exame de corpo de delito porque não tem condições de uma pessoa que está com hematomas nas costas, nos braços, no ombro, no rosto ter sofrido simplesmente uma queda", disse a advogada Virginia Eusébio.

Em nota, a direção do Hospital Portugal Ramalho reafirmou que a paciente apresentou queda da própria altura e que ela foi encaminhada para a UPA após apresentar quadro de pressão baixa. A nota diz ainda que foram realizados contatos regulares com a família e que toda denúncia é apurada através de sindicância e todas as diligências legais são tomadas (leia nota na íntegra ao final do texto).

Um servidor do hospital que pediu para não ser identificado, disse que o descaso faz parte da rotina da unidade hospitalar e que o problema é antigo.

"A prática é a seguinte: libera da ala, fica nos corredores, depois vai para um lugar chamado recreação, depois retornam. Lancham e retornam para o banho e esses pacientes ficam ao Deus dará quando voltam para as alas porque eles têm o hábito de só entregar o remédio, dar o remédio. Mas tomar conta do paciente em si, isso não é feito", disse o funcionário.

Ele contou ainda que a situação já foi informada para a direção e ouvidoria além da enfermagem, mas nenhum providência foi tomada.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) está acompanhado o caso.

"Isso é completamente contra o princípio da dignidade da pessoa humana e nós, como membros da Comissão estaremos acompanhando esse caso de perto e já enviamos um ofício para a Polícia Civil para apurar o inquérito policial e para a 25ª Promotoria Criminal da Capital. Este crime pode ser enquadrado ao crime de maus tratos ao idoso, lesão corporal e até mesmo o crime de tortura", afirmou o membro da Comissão Gabriel Moura.

Denúncias de violência dentro do hospital

Em duas semanas, essa é a segunda denúncia de violência registrada dentro do Hospital Portugal Ramalho. A Polícia Civil de Alagoas continua investigando o estupro de um adolescente do interior, que tem 15 anos e está em tratamento psiquiátrico na unidade. Segundo um funcionário do hospital, ele foi abusado por quatro pessoas diferentes.

O caso está sendo acompanhando pelo Ministério Público Estadual (MP-AL), Conselho Tutelar e pela Delegacia de Crimes Contra Menores, que investiga o caso.

O MP disse que como se trata de um crime contra menor da idade, o caso segue em segredo de justiça.

Nota Hospital Escola Portugal Ramalho

O Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR) informa que a paciente Edleuza Pedro da Silva .estava internada na Ala Nossa Casa e foi transferida para o setor de Intercorrência Clinica, por ter apresentado queda da própria altura. Foi verificado, à admissão que a paciente apresentava alteração clínica (baixos níveis de pressão arterial) que demandava deslocamento para serviço de pronto atendimento clínico. Foi, então, encaminhada para a UPA.

O HEPR informa, igualmente que durante todo o período de sua permanência na Instituição, foram realizados contatos regulares com a família, inclusive sendo imediatamente informada da intercorrência e da necessidade de transferência para outra unidade de saúde. O Hospital Portugal Ramalho destaca que é referência no atendimento psiquiátrico no Estado. Quaisquer reclamações podem ser realizadas à equipe e Ouvidoria do hospital. Toda denúncia é apurada, através de sindicância e todas as diligências legais são tomadas.

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