


Uma facção criminosa do Amapá assumiu o controle de um garimpo ilegal de ouro na Guiana Francesa e obrigou brasileiros a trabalharem em jornadas de até 24 horas sob a mira de pistolas e fuzis, revelou a Polícia Federal. Na sexta-feira (20), a PF comunicou a prisão de três membros do grupo no território francês.
No momento, outros três suspeitos estão foragidos, e as autoridades dos dois países buscam identificar mais participantes. As investigações apontam que a facção seria formada por ex-membros da Família Terror do Amapá, organização local associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação do grupo no garimpo foi desmantelada, segundo a PF.
Foragidos desde maio, os três brasileiros presos foram identificados como Jair Mercês da Silva, Wemerson Mirelle Furtado e Aldemir Mourão Vilhena, apontado como um dos chefes da nova facção. Conhecido como Gordo, Vilhena era alvo de um mandado de prisão por ter sido condenado a 6 anos de prisão pelo crime de tráfico de drogas.
No dia 26 de abril deste ano, os criminosos assumiram o controle do garimpo do Boulanger. Fortemente armados, eles fizeram os brasileiros que atuavam no local de reféns, segundo a PF. Os garimpeiros passaram a ser obrigados a trabalhar em jornadas de até 24 horas, sob a mira de fuzis e pistolas dos criminosos.
Os investigadores suspeitam ainda que pelo menos seis brasileiros que teriam se recusado a garimpar para a facção acabaram mortos. A facção também chegou a tentar invadir outros garimpos na Guiana Francesa.
Nesta sexta-feira, a PF informou que foi dado início ao processo de extradição para que os três presos sejam julgados pela Justiça do Brasil. Eles poderão responder pelos crimes de organização criminosa, homicídio doloso, redução à condição análoga de escravo e tráfico internacional de armas.