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Uma tendência que circula nas redes sociais tem incentivado homens a exporem a bolsa escrotal diretamente ao sol com a promessa de elevar naturalmente os níveis de testosterona. No entanto, especialistas afirmam que a prática não possui respaldo científico e pode trazer riscos à saúde.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, não há estudos clínicos que comprovem que a exposição solar direta nos testículos aumente a produção do hormônio de forma segura ou consistente. A prática ganhou visibilidade em conteúdos ligados ao chamado biohacking, que defendem estratégias de “otimização hormonal”.
Origem da ideia
Segundo especialistas, a confusão surgiu a partir de pesquisas que associam maior tempo ao ar livre a níveis médios mais elevados de testosterona em algumas populações. Também existem estudos que indicam que a exposição da pele à radiação ultravioleta pode ativar mecanismos hormonais indiretos no organismo.
Isso, porém, não significa que expor diretamente a região genital ao sol aumente a produção hormonal. A relação mais consistente observada na literatura científica envolve níveis adequados de vitamina D, produzida pela pele com a exposição solar, e não a exposição específica dos testículos.
Como a testosterona é produzida
A testosterona é produzida principalmente nos testículos, em células chamadas de Leydig, por meio de um sistema hormonal regulado pelo cérebro. O processo começa no hipotálamo, que envia sinais à hipófise, responsável por liberar o hormônio luteinizante (LH). Esse hormônio, então, estimula os testículos a produzirem testosterona.
Especialistas ressaltam que esse mecanismo é central e não depende de estímulos solares locais.
Riscos da prática
Além da ausência de benefício comprovado, a exposição direta da bolsa escrotal ao sol pode provocar queimaduras, já que a pele da região é fina e sensível. A elevação da temperatura local também pode prejudicar a produção de espermatozoides, afetando a fertilidade.
Assim como em outras partes do corpo, a exposição prolongada à radiação ultravioleta aumenta o risco de câncer de pele ao longo da vida.
O que realmente ajuda a manter níveis adequados
Profissionais de saúde destacam que hábitos com evidência científica são os mais indicados para manter níveis hormonais equilibrados, como:
sono regular e de qualidade;
prática de atividade física, especialmente treino de força;
controle do peso;
redução do consumo excessivo de álcool;
tratamento de doenças associadas.
Quando há sintomas de baixa testosterona, a recomendação é procurar avaliação médica. A reposição hormonal só deve ser feita com indicação clínica e acompanhamento profissional.
Especialistas reforçam que seguir tendências sem base científica pode trazer riscos e atrasar o diagnóstico de condições como o hipogonadismo, caracterizado pela produção insuficiente de testosterona.

