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Autoridades europeias abriram investigações sobre a inteligência artificial vinculada à plataforma X, antigo Twitter, após denúncias de que a tecnologia teria sido usada para criar imagens sexualizadas de mulheres e crianças reais, em alguns casos sem roupas, a partir de fotos compartilhadas nas redes sociais.
O foco das apurações é o Grok, ferramenta de inteligência artificial disponibilizada pelo X. O caso provocou forte reação política no Reino Unido. O primeiro-ministro Keir Starmer classificou o episódio como “nojento” e “vergonhoso”, em uma das críticas mais duras ao uso da tecnologia.
O escândalo colocou governos em alerta ao levantar dúvidas sobre a segurança de uma prática comum, o compartilhamento de imagens pessoais em redes sociais. "O fato de as pessoas compartilharem fotos pessoais ou da família não dá liberdade para que essas imagens sejam usadas em outro contexto”, afirmou o ministro da Justiça da Espanha, Felix Bolaños.
O bilionário Elon Musk, dono do X, defendeu inicialmente o uso da ferramenta sob o argumento de liberdade de expressão. Diante da pressão política e da ameaça de multas milionárias, porém, recuou e anunciou que a plataforma vai bloquear a sexualização de imagens em países onde a prática é ilegal.
Apesar do recuo, o Reino Unido mantém postura cautelosa. Segundo um porta-voz do governo britânico, a investigação segue em andamento. A Ofcom, agência reguladora das comunicações, apura como a inteligência artificial acessa e modifica imagens de pessoas sem consentimento, especialmente de crianças e adolescentes, e quais mecanismos estão sendo adotados para impedir abusos.
Não é a primeira controvérsia envolvendo a IA ligada a Musk. A ferramenta já foi acusada de expor mensagens de usuários em mecanismos de busca e até de elogiar Adolf Hitler em interações automatizadas.
Além do Reino Unido e da Espanha, a União Europeia discute mudanças regulatórias para evitar que princípios como liberdade de expressão e pesquisa sejam usados para viabilizar abusos no uso da inteligência artificial.
