EUA impõem sanções financeiras ao PCC e buscam cortar acesso do grupo ao sistema global

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 05/09/2025

Foto: Felipe Dana (ap)

O Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior facção criminosa do Brasil, foi oficialmente incluído na lista de sanções do Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pelo controle financeiro internacional. A medida, divulgada nesta semana, tem como objetivo atingir diretamente as redes de financiamento da organização.

Embora não classifique o PCC como grupo terrorista, a decisão enquadra a facção no programa ILLICIT-DRUGS-EO14059, destinado ao combate do tráfico internacional de drogas. Na prática, todos os bens e interesses do PCC sob jurisdição americana ficam congelados, e cidadãos e empresas dos EUA ficam proibidos de realizar transações financeiras com o grupo ou seus membros.

Do presídio ao crime global

Nascido como uma facção prisional em São Paulo, o PCC expandiu seu domínio ao longo das últimas décadas, consolidando-se no controle de rotas de tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Hoje, a facção possui conexões em diversos países da América do Sul e até na Europa, o que a transformou em um ator do crime organizado com alcance transnacional.

Segundo especialistas, a decisão americana reconhece que o PCC deixou de ser apenas um problema de segurança pública no Brasil, passando a ser visto como uma ameaça internacional capaz de impactar a política externa e a segurança econômica dos EUA.

“Guerra financeira” contra o crime

A inclusão do PCC na lista de sanções do OFAC representa uma estratégia conhecida como “guerra financeira”. Ao dificultar o acesso da facção ao dólar e ao sistema bancário internacional, autoridades esperam estrangular o fluxo de caixa ilícito que alimenta suas operações.

Esse bloqueio pode limitar a capacidade do grupo em comprar armas, corromper agentes públicos e expandir atividades criminosas fora do Brasil. A tática, avaliam analistas, tem sido usada de forma crescente contra organizações criminosas e cartéis internacionais por ser menos custosa do que grandes operações policiais ou militares.

Com a decisão, os EUA reforçam a pressão internacional sobre o PCC, indicando que o combate à facção vai além das fronteiras brasileiras e passa a ser tratado como uma questão de segurança global.

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