
Estudo da Ufal associa surto de sarna ao uso de ivermectina
Uma pesquisa do Núcleo de Estudos em Farmacoterapia (NEF) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), divulgada nesta sexta-feira (26), relaciona a escabiose (sarna humana) ao uso indiscriminado de ivermectina. Segundo os pesquisadores, esse estudo pode ajudar na investigação do surto registrado em Pernambuco.
Até esta semana foram notificados ao menos 413 casos em três cidades de Pernambuco. As lesões na pele provocam coceira. O surto ainda não tem causa definida e as autoridades de saúde pernambucanas seguem investigando.
Os pesquisadores do Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), Alfredo Oliveira-Filho e Sabrina Neves, e os estudantes Lucas Bezerra e Natália Alves, se basearam na observação de casos de resistência à ivermectina já relatados, surtos isolados e os dados de aumento de consumo do medicamento por causa da pandemia de Covid-19. O artigo foi publicado no mês de agosto.
“O nosso artigo lança a hipótese de que poderíamos ter problemas com surtos de escabiose resistente, por conta do uso irracional da ivermectina. O surto está configurado, pois está havendo um aumento rápido de casos de lesões de pele com coceira e outros sintomas”, explicou Sabrina
São necessários alguns testes e o descarte de outras hipóteses sobre o que está acontecendo em Pernambuco para então confirmar as questões levantadas no artigo.
Os pacientes se queixam de uma coceira forte, intensificada no período da noite, e que evolui para feridas, mesmo com o uso de antialérgicos. A vigilância epidemiológica emitiu um alerta com os sintomas para os serviços de saúde, assim todos devem notificar o atendimento a pacientes com os sintomas da doença.
“A hipótese do artigo é que é possível que o Sarcoptes scabiei, ácaro causador da escabiose pode ter desenvolvido resistência à ivermectina. Se essa hipótese se confirma, temos um problema enorme, pois a doença poderia atingir qualquer população, e o que é pior, com dificuldade de tratamento”, avaliou Sabrina.
CONTÁGIO
Os animais não interferem na propagação da escabiose, e a sarna humana se dá somente entre humanos, por contato direto com pessoa ou roupas e outros objetos contaminados.
Após a exposição à doença, pode levar até seis semanas para que os sintomas apareçam. O desenvolvimento costuma ser mais rápido em pessoas que já tiveram escabiose antes.
A sarna tende a parecer com espinhas, com aparência de pequenas picadas e inchaços na pele. O principal sintoma da escabiose é a coceira ou prurido, sentido principalmente à noite.
Ainda conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o diagnóstico é geralmente clínico, a partir das lesões. O médico pode prescrever pomadas, cremes e loções para aplicar diretamente na pele, ou medicamentos orais.
