Estrela rara e mais velha que o sol é descoberta com telescópio que possui tecnologia brasileira

Estrela é mais velha que o sol, segundo os pesquisadores — Foto: Favio Faifer/Reprodução

Um professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participou da descoberta de uma estrela rara e que é mais velha do que o sol. O físico Antônio Kanaan explica que a SPLUS J2104-0049 pertence a um grupo seleto de estrelas e que ainda não havia sido identificada.

O pesquisador faz parte de um projeto internacional de astronomia. A notícia foi confirmada pela instituição na segunda-feira (17).

A descoberta foi possível através de um telescópio robótico de 86 centímetros de diâmetro que está instalado no Chile. O objeto faz parte do projeto de Levantamento Fotométrico do Universo Local Sul (S-PLUS), que reúne cerca de 50 pesquisadores com participação da UFSC e de países como Argentina, Chile, Estados Unidos e Espanha.

Antônio e dois ex-alunos da instituição participaram da instalação do telescópio e também no desenvolvimento de um software para robotização do equipamento. Os integrantes do projeto mapeiam o céu do Chile em busca de novas estrelas.

“Essas descobertas levam horas para serem feitas porque você precisa observar cada pedaço do céu e aí fazer o estudo das estrelas. Mas esse telescópio que a gente usa tem um campo de visão bem maior, é como uma câmera de lente grande angular. A gente tira várias fotos e consegue pegar um pedaço maior do céu. Em mais ou menos uma hora e meia, nós conseguimos observar 100 mil estrelas”, explica o professor.

A estrela tem uma luz muito fraca e a idade dela ainda não pôde ser delimitada, mas pelas caraterísticas, como massa e composição, os especialistas afirmam que a estrela é mais velha que o sol.

Estrela pobre em elementos químicos

Segundo o professor, quanto menos elementos químicos as estrelas têm, mais leves elas são e mais tempo duram. A SPLUS J2104-0049 é uma estrela considerada ultrapobre. Com base nisso, os especialistas acreditam que ela é bastante antiga, já que possui luz fraca e não pode ser vista a olho nu, apenas com um telescópio.

Antônio explica que, enquanto o universo teria sido formado há 13,5 bilhões de anos, o sol, que é uma estrela muito pesada, surgiu depois, e tem aproximadamente 10 bilhões de anos. Por isso, segundo a teoria da formação do universo, as primeiras estrelas encontradas teriam uma massa bem menor do que o sol, para durarem mais do que ele.

A descoberta de estrelas antigas, segundo o físico, contribui para que os pesquisadores possam entender melhor a formação do universo e até mesmo desmistificar teorias de como e quando o nosso planeta surgiu.

Telescópio

O programa de robotização que é utilizado no telescópio do projeto foi desenvolvido por Antônio e seus alunos dentro da universidade. Ele conta que os estudos começaram há mais de 20 anos.

“Assim que eu entrei na UFSC, em 1998, comecei a desenvolver esse software e vários alunos meus fizeram parte do projeto durante os anos. Depois, nós montamos o observatório da UFSC e começamos o programa lá”, afirma.

O objeto está instalado em um local estratégico, no observatório Cerro Tololo, a cerca de 80 quilômetros da cidade de La Serena, no Chile. Como o local fica em uma área desértica na Cordilheira dos Andes, a uma altitude de cerca de 2,2 mil metros acima do nível do mar, o céu é mais limpo e, portanto, é mais fácil observar as estrelas, de acordo com o físico.


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