


O Estado Islâmico tem Europa e EUA na mira, após ataque mortal em uma casa de shows perto de Moscou, no último dia 22. Analistas acreditam que o Estado Islâmico-K tem um foco crescente na Europa e apontam grandes eventos, como os Jogos Olímpicos de Paris, como potenciais alvos.
O Estado Islâmico-K foi criado há nove anos como uma “província” autônoma do Estado Islâmico e, apesar de muitos inimigos, sobreviveu e provou ser capaz de lançar ataques no Paquistão, no Irã e na Ásia Central. Antes do ataque à Crocus City, o grupo havia planejado outros na Europa e na Rússia.
O comandante do Comando Central dos EUA, general Erik Kurilla, avaliou recentemente que o Estado Islâmico-K “mantém a capacidade e a vontade de atacar os interesses dos EUA e do Ocidente no exterior em apenas seis meses, com pouco ou nenhum aviso”.
Especialistas da ONU e outros – incluindo os serviços de segurança russos – estimam a força do Estado Islâmico-K entre 4 mil e 6 mil combatentes. Sanaullah Ghafari tornou-se o líder do grupo em 2020 e, apesar de relatos ocasionais sobre a sua morte, os analistas sobre terrorismo acreditam que ele continua a ser um líder eficaz.
Tanto o Talibã como os Estados Unidos procuraram – embora não em conjunto – expurgar o Estado Islâmico-K dos seus refúgios seguros no leste do Afeganistão. Mas uma análise recente no Sentinel, o jornal do Centro de Combate ao Terrorismo em West Point, disse que “continua a ser uma organização resiliente, capaz de se adaptar a dinâmicas em mudança e de evoluir para sobreviver a circunstâncias difíceis”.
Ameaça à Europa
O Estado Islâmico-K tem ambições muito além do sul da Ásia, visando atingir a Rússia, a Europa Ocidental e até os Estados Unidos. As agências de segurança europeias estão prestando maior atenção à ameaça, mesmo que as capacidades do Estado Islâmico-K ainda não correspondam às suas ambições.
Hans-Jakob Schindler, diretor sênior do Projeto Contra Extremismo, observa que em julho do ano passado sete homens foram presos na Alemanha suspeitos de planejar ataques de alto nível e de estarem em contato com planejadores do Estado Islâmico-K. Todos os suspeitos eram da Ásia Central.
Este mês, dois cidadãos afegãos foram detidos na Alemanha, acusados de fazer “preparativos concretos” para atacar o parlamento sueco em retaliação a uma onda de queimadas do Alcorão no país. Um deles aderiu ao Estado Islâmico-K no ano passado, afirmaram os promotores, e seus planos foram feitos “em estreita consulta com” os agentes do Estado Islâmico-K.