Esquema das joias movimentou R$ 6,8 mi, diz relatório; Defesa de Bolsonaro critica erro e atuação de Moraes em inquérito

Por: Rádio Sampaio com Correio Braziliense
 / Publicado em 09/07/2024

Jair Bolsonaro | Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP

 

 

Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu US$ 25 mil (cerca de R$ 136 mil na cotação atual) em espécie- provenientes da venda de joias sauditas recebidas em viagem ao exterior.

De acordo com as investigações, Bolsonaro teria recebido o dinheiro vivo do general da reserva Mauro Lourena Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid. A afirmação faz parte do inquérito que apura a venda de joias e o envio dos itens de alto valor para venda nos Estados Unidos. O dinheiro teria sido sacado nos EUA e trazido ao Brasil para ser entregue a Bolsonaro.

Ao todo, a corporação aponta que teriam sido movimentados R$ 6,8 milhões com a venda das joias. Para fundamentar as acusações, a PF identificou comprovantes de transferência bancárias em contas ligadas a Mauro Lourena Cid. As diligências apontam que as contas do pai de Cid eram usadas para movimentar os valores obtidos com a venda das pedras preciosas.

A Defesa

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, criticou um erro de cálculo da Polícia Federal no relatório final da investigação envolvendo as joias sauditas. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal e corrigido em seguida. Os advogados também questionam a legitimidade do ministro Alexandre de Moraes para permanecer na relatoria das investigações.

O ex-presidente negou as acusações e se contrapôs às investigações. “Aguardemos muitas outras correções. A última será aquela dizendo que todas as joias "desviadas" estão na CEF (Caixa Econômica Federal), acervo ou PF, inclusive as armas de fogo”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais.

A defesa de Jair Bolsonaro publicou uma nota sobre o caso e alegou que o cliente não tinha como atribuição definir com quem e onde ficariam as joias. “Os presentes ofertados a um Presidente da República obedecem a um rígido protocolo de tratamento e catalogação e sobre o qual o Chefe do Executivo não tem qualquer ingerência, direta ou indireta, sendo desenvolvido pelo Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH), responsável por analisar e definir, a partir dos parâmetros legais, se o bem será destinado ao acervo público ou ao acervo privado de interesse público da Presidência da República. Referido Gabinete, esclareça-se, é composto por servidores de carreira e que, na espécie, vinham de gestões anteriores”, destaca o texto.

Os advogados sustentam que outros ex-presidentes também ficaram com presentes recebidos, e não foram investigados. “No curso desta mesma investigação — repita-se, estranhamente direcionada apenas ao ex-presidente Bolsonaro —, houve representação para a inclusão do atual presidente da República, tendo em vista as próprias declarações do mesmo de que, quando no exercício de mandato, havia recebido um relógio da sofisticada marca Piaget, presenteado pelo ex-Presidente da República Francesa, Jacques Chirac”, destaca o texto.

Em outro trecho, a defesa alega “evidente incompetência do Supremo Tribunal Federal e da inexistência de qualquer prevenção do Ministro Alexandre de Moraes” para ser o relator do inquérito.

Por fim, os defensores afirmam que “a defesa manifesta sua completa indignação com o fato de que o relatório apresentado pela Polícia Federal, imputou — de forma temerária e despida de quaisquer fundamentos factuais ou mercadológicos —, que o ex-presidente teria tentado beneficiar-se de valores contabilizados na absurda ordem de R$ 25.000.000,00, afirmação que, somente após enorme e danosa repercussão midiática, foi retificado pela Polícia Federal”.

 

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