Em carta a Lula, Lewandowski diz que deixa o governo por razões pessoais e familiar

Por: Rádio Sampaio com SBT News
 / Publicado em 08/01/2026

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski | Nelson Jr./SCO/STF

Em sua carta de demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou ao presidente Lula (PT) que deixa o governo por razões pessoais e familiares.

"Sirvo-me do presente para, respeitosamente, apresentar o meu pedido de exoneração do cargo de Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, por razões de caráter pessoal e familiar, a partir de 9 de janeiro de 2026", diz o ministro na abertura da carta.

Lewandowski diz ainda que tem a certeza de ter exercido o cargo com zelo e dignidade. E agradece o apoio recebido durante sua permanência no cargo.

"Ressalto que tive o privilégio de continuar servindo ao País - depois de aposentar-me como Ministro do Supremo Tribunal Federal - sob a inspiradora liderança de Vossa Excelência, sempre comprometida com o progresso e o bem-estar de todos os brasileiros", completou.

Lewandowski entregou sua carta de demissão a Lula na manhã desta quinta-feira (8), durante reunião no gabinete presidencial. No final do ano passado, o ministro chegou a dizer que seria "ministro dos seus netos".

Entre as principais atuações de Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública está a resposta à fuga de dois detentos da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em fevereiro de 2024, poucos dias após sua posse no cargo. O episódio foi o primeiro registro de fuga no sistema penitenciário federal desde a criação das unidades de segurança máxima, em 2006.

À época, o ministro determinou medidas emergenciais, intervenção administrativa na unidade e reforço das operações de segurança. Após cerca de 50 dias de buscas, os fugitivos foram recapturados no estado do Pará.

Lewandowski também atuou na elaboração do chamado PL Antifacção, que enfrenta forte resistência no Congresso Nacional. Parlamentares avaliam que o projeto amplia excessivamente os poderes do Executivo sobre o sistema prisional, fortalecendo a atuação da União em detrimento das administrações dos Estados. Governadores e bancadas estaduais manifestaram preocupação com possíveis interferências federais na gestão de presídios locais, tema sensível em um contexto pré-eleitoral.

Nos bastidores, a decisão de deixar o cargo também teria sido influenciada pela sinalização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de querer dividir o atual Ministério da Justiça e Segurança Pública e recriar uma pasta específica para a área de Segurança Pública.

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