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Com a proximidade do pleito de 2026, o estado se prepara para uma das disputas mais acirradas de sua história recente. O embate, que centraliza nomes de peso como Renan Calheiros Filho (MDB) e João Henrique Caldas JHC (PL), ganha agora um cronograma oficial que dita o ritmo das alianças e das renúncias
O primeiro passo é a desincompatibilização que para quem ocupa cargos no Executivo e deseja disputar as eleições, deverá ser feita até o dia 4 de abril de 2026 (seis meses antes do pleito).
Este prazo é o "Dia D" para peças-chave do tabuleiro alagoano. O atual ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), é o nome mais cotado para deixar a Esplanada dos Ministérios e retornar ao estado para disputar o Governo de Alagoas. Do outro lado, o prefeito de Maceió, JHC (PL), que lidera redutos importantes na capital, também vive o dilema: renunciar à prefeitura em abril para tentar o Palácio República dos Palmares ou manter o mandato atual.
A disputa entre Renan Filho (MDB) e JHC (PL) pelo governo de Alagoas em 2026 é o embate entre dois modelos de poder: a hegemonia territorial e capilarizada do MDB contra a comunicação digital e o reduto eleitoral de massa do prefeito de Maceió.
Para concorrer ao Governo, JHC precisa renunciar à prefeitura em abril de 2026, entregando a chave do maior orçamento do estado ao seu vice (Rodrigo Cunha, aliado de Arthur Lira). Se perder a eleição para o Governo, JHC fica sem mandato e sem máquina por dois anos.
Já Renan Filho, como ministro, também precisa sair em abril, mas ele tem o apoio do Governo do Estado (sendo aliado de Paulo Dantas). Se Renan perder, seu grupo ainda mantém o controle da máquina estadual até dezembro de 2026, o que garante fôlego para as articulações futuras.
JHC domina Maceió e a região metropolitana. Sua força está no eleitor urbano, jovem e conectado, que aprova sua gestão "instagramável" e as obras de infraestrutura na capital.
Renan Filho detém a lealdade de mais de 60 prefeitos do interior. O MDB alagoano é uma máquina de guerra eleitoral nas pequenas e médias cidades, onde o governo estadual (Paulo Dantas) tem investido pesado em obras e programas assistenciais.
A eleição será decidida na capacidade de JHC furar a bolha de Maceió e convencer o eleitor do Sertão e do Agreste de que ele não é apenas um "prefeito da capital". Para Renan Filho, o desafio é o oposto: reduzir sua rejeição na capital e nacionalizar a disputa, colando sua imagem à de Lula, que ainda possui prestígio no estado.
Se em Brasília o poder emana do povo, em Alagoas, grande parte dele emana da Casa de Tavares Bastos. Pode-se afirmar categoricamente que: Marcelo Victor (MDB) não é apenas um apoiador, ele é o "arquiteto-chefe" da governabilidade e o grande General de campo para 2026.
Sua importância é tão central que uma mudança de lado de Marcelo Victor hoje alteraria o favoritismo de qualquer candidato ao Governo.
Marcelo Victor preside a Assembleia Legislativa (ALE) desde 2019 e foi reconduzido para o biênio 2025-2026 com unanimidade dos votos. Ele detém o controle sobre a pauta legislativa, orçamentos e, principalmente, sobre as emendas parlamentares que sustentam a base de quase todos os prefeitos do interior. Sem Marcelo Victor, o governador Paulo Dantas (ou o sucessor Renan Filho) perderia a paz política.
Enquanto Renan Filho tem o peso do nome e JHC tem o brilho das redes sociais, Marcelo Victor tem o "CPF" dos prefeitos. Ele é o principal articulador político junto aos gestores municipais. Victor possui uma lealdade quase religiosa de uma bancada de deputados estaduais que, por sua vez, controlam redutos eleitorais inteiros.
Marcelo Victor foi o principal fiador da ascensão de Paulo Dantas. Ele não apenas apoiou, ele operacionalizou a eleição de Dantas em 2022. Se Marcelo Victor sinalizar qualquer abertura para o grupo de JHC/Lira (o que é improvável hoje, mas política é a arte do possível), a eleição de Renan Filho estaria comprometida. Por outro lado, sua permanência firme no MDB é o que garante que o "exército" de prefeitos não debande para o lado de Arthur Lira.
Em 2024, o MDB, sob o bastão de Marcelo Victor e dos Calheiros, saltou de 37 para 65 prefeituras. Isso significa que em mais de 60% dos municípios alagoanos, a máquina pública municipal estará a serviço da candidatura de Renan Filho. Já o PP de Arthur Lira, embora forte, recuou de 29 para 27 prefeituras.
O apoio de Marcelo Victor é o seguro-fiança da candidatura governista. Ele transforma prestígio político em votos territoriais. Para JHC vencer, ele não precisa apenas derrotar Renan Filho nas urnas; ele precisa encontrar uma forma de neutralizar a influência de Marcelo Victor no interior, o que, até o momento, parece ser o seu maior (e quase impossível) desafio tático.
Até 04 de abril – Desincompatibilização – Saída de Renan Filho do Ministério e possíveis saídas de prefeitos e secretários;
Até 06 de maio – Fechamento do Cadastro – Prazo final para o eleitor regularizar o título ou transferir domicílio;
20 de julho a 05 de agosto – Convenções Partidárias – Definição oficial das chapas (Governador, vice e os dois Senadores)
16 de agosto – Início da propaganda
04 de outubro – 1º Turno – Eleição para Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Estadual
