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Com o aumento da expectativa de vida da população mundial, doenças que afetam o cérebro e o sistema nervoso passam a ser cada vez mais comuns. Conhecidas como doenças neurodegenerativas, elas são um conjunto de condições que, atualmente, afetam mais de 3 bilhões de pessoas no mundo, segundo um estudo divulgado na The Lancet Neurology em março deste ano, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Doenças neurodegenerativas são um grupo de doenças caracterizadas por patologias em que há progressiva cujo resultado é a morte dos neurônios, levando a uma atrofia cerebral e perda da função exercida por aquela região”, explica Adalberto Studart Neto, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
De acordo com o especialista, as doenças neurodegenerativas podem ter causa genética-hereditária, ou seja, herdar de um dos pais um gene com mutação que pode levar ao processo neurodegenerativo. No entanto, as causas também podem ser esporádicas, ou seja, por motivos que, segundo o especialista, ainda não são totalmente conhecidos.
O Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais comum e estudada, de acordo com Neto. “O processo neurodegenerativo comumente inicia-se nas regiões dos hipocampos que são fundamentais para formação de novas memórias. Os neurônios dos hipocampos progressivamente morrem e isso leva a atrofia e a perda da função que é na memória para fatos recentes. Isso leva aos sintomas de declínio progressivo na memória para fatos recentes no início da doença”, explica o neurologista.
Além do Alzheimer, existem outras doenças neurodegenerativas comuns e mais conhecidas, entre elas, a doença de Parkinson.
A doença de Parkinson é causada pela redução progressiva da produção de dopamina e caracterizada pela dificuldade de movimentos, tremores involuntários, rigidez muscular e instabilidade postural. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo.
“Em geral, os sintomas das doenças neurodegenerativas se iniciam progressivamente. Em geral, o curso é lento, embora alguns casos raros possam ter evolução rápida”, explica Neto. Segundo o especialista, os sintomas podem ser:
O diagnóstico de doenças neurodegenerativas é feito, fundamentalmente, pela avaliação neurológica, conforme aponta Neto. Exames complementares servem para descartar outras causas não degenerativas para os sintomas do paciente.
“Em algumas doenças, há biomarcadores que aumentam a precisão do diagnóstico. Eles detectam o processo neurodegenerativo ou proteínas mal-dobradas que podem ser características de doenças neurodegenerativas”, explica o neurologista. “Importante frisar que os biomarcadores isoladamente não podem ser usados para diagnóstico sem que os sintomas possam ser justificados, e pessoas sem sintomas não podem fazer esses biomarcadores apenas para saber se há risco de desenvolver uma doença no futuro”, enfatiza.
O tratamento de doenças neurodegenerativas ainda representa um desafio, já que muitas delas não possuem tratamento específico ou cura. “Em geral, o tratamento é sintomático, ou seja, tratamos os sintomas para diminuir a velocidade do declínio cognitivo e melhorar a qualidade de vida”, afirma Neto.
Falar de prevenção de doenças neurodegenerativas também é um desafio, já que muitas possuem componente genético como fator de risco. Porém, alguns estímulos podem fortalecer a cognição e reduzir o risco de declínio cognitivo associado a essas condições, como:
