


A dívida pública brasileira deve alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e chegar a 106,5% em 2031, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço é associado ao chamado “efeito bola de neve”, provocado pela combinação de juros elevados, déficits fiscais e crescimento econômico insuficiente para conter o aumento do endividamento.
Segundo as projeções apresentadas, a dívida bruta do governo geral deve passar de 93,3% do PIB em 2025 para 96,5% em 2026, atingindo 100% em 2027 e 102,3% em 2028.
O principal ponto de preocupação, porém, não é apenas o tamanho da dívida, mas o custo para financiá-la. O pagamento de juros representa cerca de 8% do PIB, pressionando as contas públicas e dificultando a estabilização do endividamento.
O chamado efeito bola de neve ocorre quando o custo dos juros supera a capacidade de crescimento da economia e não é compensado por resultados primários suficientes. Nesse cenário, o governo precisa continuar recorrendo ao financiamento para cobrir suas necessidades fiscais, aumentando o estoque da dívida.
Em 2025, o Brasil registrou déficit nominal equivalente a 8,1% do PIB, segundo os dados citados do FMI. Enquanto isso, o estoque da Dívida Pública Federal passou de R$ 8,635 trilhões em 2025 para R$ 9,268 trilhões em junho de 2026.
Brasil tem dinâmica diferente de EUA e China
Apesar de Estados Unidos e China apresentarem projeções de dívida superiores às brasileiras, os três países possuem características econômicas diferentes.
A dívida americana deve chegar a aproximadamente 142% do PIB em 2031. Os Estados Unidos, porém, contam com o dólar como principal moeda de reserva global, o que amplia a demanda internacional por títulos do Tesouro americano.
Na China, a dívida deve alcançar 126,8% do PIB em 2031. O país, por sua vez, possui grande peso na economia mundial e nas cadeias globais de comércio e produção, fazendo com que seus problemas econômicos tenham impacto internacional.
No caso brasileiro, a preocupação está principalmente na combinação entre juros elevados, resultado fiscal insuficiente, crescimento econômico e confiança dos investidores. A taxa Selic estava em 15% ao ano em agosto de 2026, conforme as informações apresentadas.
O cenário descrito pelo FMI não aponta para uma crise imediata, mas para uma deterioração gradual da trajetória da dívida. A manutenção de juros elevados aumenta o custo do financiamento, enquanto a ausência de resultados fiscais suficientes dificulta a estabilização da relação entre dívida e PIB.
Para os especialistas citados no levantamento, a reversão desse processo depende de um ajuste fiscal capaz de melhorar a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas. Enquanto isso não ocorre, o país permanece sujeito ao chamado efeito bola de neve, no qual juros, déficit e crescimento insuficiente contribuem para ampliar o endividamento.
