Dinheiro no sapato: Polícia Federal investiga primo do deputado Elmar Nascimento por esquema com a Codevasf

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 17/07/2025

PF encontrou dinheiro dentro de sapato na casa de vereador Francisco Manoel do Nascimento Neto, que é primo do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) (à direita na foto). — Foto: Reprodução; Mário Agra/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar um suposto esquema de desvio de verbas públicas oriundas de emendas parlamentares destinadas à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O foco da apuração está na atuação de aliados políticos e familiares do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA), um dos principais líderes do centrão na Câmara dos Deputados.

De acordo com o material da investigação, a suspeita recai sobre contratos superfaturados e fraudes em licitações envolvendo obras financiadas com recursos federais em municípios baianos. As verbas teriam sido direcionadas por meio de emendas de relator — conhecidas como "orçamento secreto" — para beneficiar empresas ligadas a pessoas próximas ao parlamentar.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a PF encontrou dinheiro escondido dentro de um sapato na residência do vereador Francisco Manoel do Nascimento Neto, que é primo do deputado Elmar Nascimento. O episódio reforça as suspeitas de movimentações financeiras ilícitas entre os investigados.

Os agentes identificaram ainda indícios de participação de parentes do deputado no controle de empresas contratadas pela Codevasf. A investigação aponta o possível uso de "laranjas" e estruturas de fachada para ocultar os verdadeiros beneficiários dos contratos públicos.

Elmar Nascimento, embora não seja formalmente investigado até o momento, aparece citado nas apurações devido à influência política exercida sobre indicações dentro da estatal federal e à destinação de recursos por meio de emendas parlamentares.

A Codevasf afirmou colaborar com as investigações e sustenta que todos os contratos firmados seguem os trâmites legais. A Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) também acompanham o caso, que pode gerar desdobramentos nas esferas criminal e administrativa.

O episódio reacende o debate sobre a transparência na distribuição de emendas parlamentares e o controle sobre o uso de recursos públicos por empresas contratadas por estatais.

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