
Srª. Franciele Brito após ser maquiada em um abrigo | Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Neste Dias das Mães, voluntários e funcionários de prefeituras do Rio Grande do Sul têm trabalhando para realizar atividades com mães e filhos que estão em abrigos, visando animá-los mesmo em meio à tragédia que estão vivendo. Um dos locais que organizou, ainda ontem (11), algumas atividades foi o centro esportivo municipal de São Leopoldo, que chegou a abrigar 2 mil pessoas e tem, atualmente, 800.
No centro, foi organizado um salão de beleza improvisado.
“Fiz cabelo, unha e maquiagem. Foi muito bom para renovar a autoestima, se sentir mais mulher, mais mãe”, disse a dona de casa Muriele Bronze (20), que tem três filhos e perdeu sua casa, assim como todos os seus parentes. A mulher ainda não contou aos filhos que sua residência foi inundada até o teto. “Na hora que a gente voltar lá não quero levar eles para não verem a situação que ficou a casa. Todas as coisinhas deles estavam lá, o material escolar, os brinquedos, as roupas, a TV que eles gostavam”, contou.
A vendedora Janaína Lucas de Oliveira (29) também ficou contente com o salão de beleza e disse que a ação foi “bem bonita e agradável”. Com quatro filhos, a mãe está há uma semana no centro esportivo e disse que nunca imaginou passar o Dia das Mães nas atuais condições.
“Nunca imaginei passar um Dia das Mães nessas condições e muito menos meu aniversário, que é no próximo dia 19. Já estava tudo pronto para a festa de 30 anos. Mas foi adiada. O que a gente pode fazer, não é?”, lamentou.
A situação também ficou complicada para Franciele Brito (26) e sua filha de cinco anos. A dona de casa relatou que ambas ficaram doentes e que dormir no colchão do abrigo “é um horror”. “Peguei infecção no ouvido de dormir nesse chão gelado”, afirmou. Ela também disse que a água nunca tinha chegado nem perto de sua residência e lamenta o que aconteceu. “Não sei quando vamos conseguir ir ver como ficou a casa”, disse.
Marileia da Rosa (40) está longe do filho neste Dia das Mães, mas comemora pelo rapaz estar em um local seguro, na casa de um amigo. Infelizmente, a mulher tem um quadro de depressão que piorou com a situação calamitosa. “Eu tomo remédio e tinha acabado. Agora consegui um. O que me atingiu mais foi a depressão, piorou muito”, relatou.
