Deolane Bezerra e Marcola viram réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro do PCC em SP

Rádio Sampaio com G1
Publicado 18/06/2026

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e converteu a influencer e advogada Deolane Bezerra em ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Além dela, também se tornaram réus Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.

A decisão foi do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª vara de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A influenciadora é investigada por envolvimento com  facção e está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026 em Tupi Paulista (SP).

🔎 Ao aceitar a denúncia do Ministério Público, a Justiça torna a pessoa ré e dá início à ação penal. Isso não significa que ela foi condenada. A partir dessa decisão, o processo segue para a fase de produção de provas e apresentação da defesa, até que a Justiça decida se o acusado é culpado ou inocente.

A ação ocorreu a partir do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Presidente Prudente (SP). A Justiça também recusou o pedido de transferência feito pela defesa de Deolane.

O MP reforçou que o pedido de prisão domiciliar não é oferecido nos casos de organização criminosa que opera mediante violência.

O líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a influencer e advogada Deolane Bezerra. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a influencer e advogada Deolane Bezerra. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O documento foi registrado por Gakiya e mais seis promotores, sendo cinco de São Paulo e dois de Presidente Prudente, no dia 10 de junho. Segundo o arquivo, familiares ou pessoas de confiança recebiam ordens dos líderes do PCC para distribuição da renda ilícita obtida com a empresa de transportes.

Estes valores eram depositados em favor de Deolane, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho, sendo os dois últimos sobrinhos de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola.

Ainda conforme o documento, os relatórios de inteligência financeira, as quebras de sigilo fiscal e bancário confirmam a ocultação/dissimulação das quantias ilícitas e a reinserção na economia formal, dando aparência de licitude.

Diante da situação, o Ministério Público Estadual denunciou à Justiça:

  • Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior;
  • Deolane Bezerra Santos;
  • Everton de Souza;
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho;
  • Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola;
  • Paloma Sanches Herbas Camacho.

A defesa da influenciadora era que ela fosse transferida para uma Sala de Estado-Maior, prevista no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para advogados presos antes de condenação definitiva, ou tivesse a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar.

Deolane é advogada inscrita na OAB. O núcleo de Presidente Prudente do Ministério Público apontou que Deolane tem condições adequadas para permanecer na unidade em Tupi Paulista.

Além disso, o fato de a influenciadora ter uma filha menor de 12 anos não é considerado critério que deva ser avaliado dissociado dos demais elementos para a concessão da prisão domiciliar.

Ministério Público denuncia Deolane Bezerra à Justiça — Foto: Reprodução/Redes sociais

Ministério Público denuncia Deolane Bezerra à Justiça — Foto: Reprodução/Redes sociais

O que dizem os citados

Em nota, Bruno Ferullo Rita, responsável pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, informou que:

"A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação.

Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam integralmente as imputações formuladas.

A Defesa destaca que o mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude.

Quanto aos elementos de natureza patrimonial e financeira mencionados na denúncia, a Defesa esclarece que eles serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas pela acusação.

A Defesa, diante da acusação apresentada, adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes, confiando que, ao final da regular instrução processual, a verdade dos fatos será devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário."

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