
Denúncias de compra de votos tumultuam eleição do PT em Alagoas - Foto: Reprodução
A eleição interna do Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas, realizada neste domingo (6) como parte do Processo de Eleições Diretas (PED), foi marcada por um cenário tenso e carregado de acusações mútuas entre os dois principais grupos que disputam o comando da sigla no estado.
As denúncias de suposta compra de votos envolvem as chapas lideradas pelo deputado estadual Ronaldo Medeiros, da oposição — com o grupo Renova PT —, e pela sindicalista Dafne Orion, representante da situação com a chapa Coração Petista. Ambos os lados levaram suas queixas às instâncias superiores do partido, incluindo a Comissão de Ética e a Secretaria Nacional de Organização (SORG).
Segundo integrantes do grupo Coração Petista, o adversário estaria utilizando estruturas públicas, incluindo veículos da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal), dirigida por Ronaldo Medeiros, para transporte de eleitores. Além disso, há registros em vídeo e fotografia que, segundo a denúncia, evidenciam a entrega de cestas básicas oriundas de programa estatal como forma de troca por votos.
“É inadmissível usar a máquina pública e um programa social tão sensível, voltado ao combate à fome, como ferramenta de manipulação política. A prática foi registrada e oficializada junto à Comissão de Ética”, declarou uma representante da chapa de Dafne.
Por outro lado, a Renova PT também apresentou denúncia formal contra a chapa da situação, acusando-a de distribuir lanches, vales-alimentação e até dinheiro para influenciar eleitores. A prática, segundo os opositores, afronta os princípios históricos do partido.
“Ver militantes sendo tratados com esse descaso é revoltante. O PT foi fundado justamente para enfrentar esse tipo de política. Temos vídeos que comprovam a compra de votos com lanches e quantias em dinheiro”, afirmou, em nota, um porta-voz da chapa de Medeiros.
A mesma nota destaca que o grupo acionou não apenas a Comissão de Ética, mas também a instância nacional responsável pela organização das eleições internas, exigindo providências para garantir a lisura do processo. “Vamos até o fim. O partido precisa se renovar, não perpetuar práticas atrasadas que desrespeitam nossa base.”
A chapa da situação, por sua vez, nega qualquer irregularidade relacionada à entrega de lanches. Segundo o grupo de Dafne Orion, os chamados “kits lanche” foram destinados exclusivamente a fiscais e mesários que passaram o dia trabalhando nas seções, e a distribuição segue práticas comuns em eleições internas do partido — inclusive, segundo a nota, adotada pela própria chapa adversária.
A disputa, marcada por fortes embates e troca de acusações, elevou a tensão entre as correntes petistas em Alagoas, e o desfecho do processo eleitoral interno poderá depender do posicionamento das instâncias superiores da legenda, que agora analisam as denúncias com base no material apresentado por ambas as partes.
