
Ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, durante depoimento à CPMI
Jefferson Rudy/Agência Senado
O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi foi mencionado nos acordos de delação premiada firmados por dois ex-dirigentes do INSS, segundo apuração jornalística. Os anexos apresentados por André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho abordam a atuação do então ministro no contexto do esquema de descontos ilegais aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas.
Lupi assumiu o ministério em janeiro de 2023 e foi demitido em maio de 2025, dias após a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal. À época, a permanência de investigados em cargos estratégicos e a defesa pública do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, geraram desgaste político. Segundo investigações, Stefanutto teria recebido pagamentos mensais do esquema entre 2023 e 2024.
As apurações também indicam que Lupi foi alertado repetidas vezes sobre o aumento dos descontos, que saltaram de R$ 80,6 milhões para R$ 248,1 milhões em cerca de um ano, período em que medidas efetivas demoraram a ser adotadas.
Perfis dos delatores
Virgílio de Oliveira Filho, ex-procurador do INSS e servidor da Advocacia-Geral da União, é acusado pela Polícia Federal de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades investigadas. Já André Fidelis, ex-diretor de Benefícios, teria recebido pagamentos para viabilizar descontos automáticos na folha de aposentados.
Na gestão de Fidelis, 14 entidades foram habilitadas por meio de acordos de cooperação técnica, responsáveis por descontos que somaram cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo informações da CPMI do INSS.
O caso segue sob investigação e as delações integram o conjunto de apurações sobre a chamada “Farra do INSS”, que investiga fraudes e irregularidades no sistema previdenciário.

