
Militares com Ryan Gabriel — Foto: CBMAL
Uma família de Maceió está empenhada em realizar os sonhos de um menino de 6 anos para que ela tenha a maior quantidade de memórias visuais possível antes que fique cego. Ryan Gabriel foi diagnosticado com hipóxia neonatal, uma condição provocada durante o parto que faz com que ele perca a visão gradativamente. A previsão dos médicos é de que ele deixe de enxergar totalmente até dezembro.
Ryan é um garoto cheio de vida e com um sorriso largo no rosto. Os pais dizem que ele está vivo graças a um milagre. Antes de nascer, o menino ficou por três dias na barriga da mãe após a bolsa estourar, o que resultou na atrofia no nervo óptico. Depois de um ano de idade, os médicos identificaram o problema. Hoje ele tem apenas 20% da visão.
Na segunda-feira (25), o pequeno Ryan comemorou a realização de um desses sonhos: voar de helicóptero com militares do Corpo de Bombeiros de Alagoas. Foi a prima, Léticia, quem entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e conseguiu a autorização para o passeio. Ryan foi recepcionado pelos militares, vestiu um fardamento da brigada de incêndio, aprendeu a manusear a mangueira e até andou em uma das viaturas. O dia foi finalizado em grande estilo, o sobrevoo de helicóptero.
"Um dos maiores sonhos dele era esse, poder voar. E ele conseguiu, ele voou. Graças a Deus, graças a Letícia [a prima], graças a toda a equipe dos bombeiros de Alagoas que ele conseguiu fazer isso. Eu só tenho a agradecer", comemorou o pai de Ryan, Elisson Campina.
"A corporação fica muito feliz em poder participar de um momento como esse. Fizemos questão de ele vestir a nossa farda, vestir o nosso capacete, andar na nossa viatura e tripular a nossa aeronave para que ele tenha essa certeza de não está sozinho nessa batalha, que o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas também está com ele", disse o sargento Rodolfo Marcelo.
Os pais contam que procuram manter uma rotina como a de qualquer outra criança na idade dele, porém, com todas as atividades escolares voltadas para a deficiência visual. Uma vez por semana, ele estuda braile. Eles contam que Ryan tem limitações, mas procuram adaptar o dia a dia de todos em casa.
"Os médicos falaram que já não tem mais o que fazer por ele, que a ciência não tem mais o que fazer. E que nos restava guardar memórias com ele, para que ele se recorde do pouco que tem. Existe um tratamento, mas é feito na Índia e ainda está em fase experimental. As chances são mínimas. Os médicos deram até dezembro [para a perda total da visão], mas pode acontecer a qualquer momento", explicou Letícia Carvalho, prima de Ryan.
"[O diagnóstico] Foi um grande choque para todos nós e sofremos bastante com a notícia. Ainda estamos passando pelo processo de aceitação. O que a gente pode fazer para ele é guardar memória, como o médico disse, a gente está fazendo de tudo", disse o pai, Elisson.
