
Rodrigo Bacellar preside sessão na Alerj, uma semana antes de ser preso — Foto: Divulgação/Alerj
A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira um requerimento para a convocação do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), que foi preso na semana passada pela suspeita de obstruir uma operação da Polícia Federal. Na segunda-feira, a Alerj decidiu revogar a detenção do deputado estadual, que se encontra em uma cela na Superintendência da PF do Rio.
Na sessão, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), explicou que a convocação se justifica pois o Estado do Rio de Janeiro está "totalmente dominado pelo crime organizado". — É um laboratório do crime organizado e é uma grande vitrine — explicou ele.
"A contribuição do Senhor Rodrigo Bacellar é imprescindível para que esta Comissão Parlamentar de Inquérito possa construir um diagnóstico fidedigno acerca da ameaça representada pela infiltração econômica do crime organizado e, a partir de informações concretas e qualificadas, avaliar a eficácia das políticas públicas de prevenção e combate à lavagem de dinheiro atualmente em vigor no País", diz o requerimento.
A comissão também aprovou o convite de depoimento para o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. Segundo Vieira, o político tem feito reiteradas denúncias sobre a infiltração do crime no governo estadual e por seu "conhecimento qualificado sobre a dinâmica de atuação do crime organizado e suas possíveis conexões com agentes públicos". Ao GLOBO, ele disse ter aceitado o convite:
— Eu prontamente me coloquei a disposição para comparecer. Será uma grande oportunidade para esclarecer vários detalhes sobre a aliança do crime organizado com o Governo do Estado. Irei abordar as evidências da ligação do crime organizado com o estado, os setores onde eles lavam dinheiro, a ligação do crime com a corrupção nas diversas áreas do govern e o que mais eles quiserem saber eu souber — disse Garotinho.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que as oitivas irão permitir compreender como decisões administrativas e relações políticas influenciaram o avanço do crime organizado em território fluminense.
— As investigações têm mostrado que o crime organizado se fortalece quando encontra brechas dentro do próprio Estado. É nosso dever esclarecer quais estruturas favorecem esse processo — disse Contarato.
A data dos depoimentos ainda não foi definida pela comissão.
