Concursos de Alagoas: ‘É cedo para dizer se alguém foi aprovado sem auxílio de fraude’, diz delegado

Concursos de Alagoas: ‘É cedo para dizer se alguém foi aprovado sem auxílio de fraude’, diz delegado

O delegado da Polícia Civil de Alagoas que investiga as fraudes nos concursos da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros informou nesta sexta (12) que ainda é cedo para apontar quem foi aprovado com ou sem auxílio do esquema criminoso. A investigação que resultou na prisão de 12 pessoas continua.

“Temos sim muitas provas, tanto é que pessoas foram presas durante nossa operação e com mandados judiciais, mas ainda é muito cedo para dizer quantas pessoas estão envolvidas ou dizer se alguém foi aprovado, ou não, para as fases posteriores dos certames sem auxílio de fraude”, afirmou o delegado Gustavo Xavier.

No dia 29 de outubro, o governo do estado cancelou todas as fases dos concursos da Segurança Pública. O motivo da decisão foi a descoberta de fraude na Operação Loki, que cumpriu mandados em Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.

Comissões de aprovados nos concursos procuraram o Ministério Público do Estado (MP-AL) e a Defensoria Pública Estadual porque consideram injustas as anulações dos certames. Os candidatos querem que a anulação seja revertida, e consequentemente, as demais fases previstas nos editais sejam realizadas. Para isso, até protocolaram pedido de investigação individual de cada candidato.

Uma comissão de aprovados nas provas do concurso público da Polícia Civil protocolou no MP-AL e DP-AL requerimento solicitando intervenção junto a Seplag, para revogação ou suspensão do cancelamento das fases já realizadas do certame, mantendo o cronograma de divulgação do resultado final da primeira fase e realização das demais fases até que as investigações sejam concluídas, e caso o governo do estado não siga a recomendação, que seja promovida Ação Civil Pública para que o cancelamento das fases do concurso seja anulado pela Justiça.

A Defensoria encaminhou ofícios à Seplag e ao delegado responsável pelas investigações solicitando informações e cópias dos documentos relacionados à investigação, que apontem elementos concretos acerca da fraude.

A Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) disse à reportagem, por meio de nota, que “não há possibilidades para a retomada das fases dos certames em função da inviabilidade da plena e segura identificação de todos os que se beneficiaram com o crime” (leia na íntegra ao final do texto).

O governo de Alagoas anunciou que as provas dos três concursos devem ser novamente aplicadas em janeiro de 2022, nas seguintes datas:

  • Corpo de Bombeiros – 22 de janeiro

  • Polícia Militar – 23 de janeiro

  • Polícia Civil – 30 de janeiro

Leia a íntegra da nota da Seplag

Conforme os primeiros resultados apresentados pela Polícia Civil de Alagoas na Operação Loki, dada a extensão da fraude, não há possibilidades para a retomada das fases dos certames em função da inviabilidade da plena e segura identificação de todos os que se beneficiaram com o crime. A Secretaria de Estado do Planejamento reforça que a decisão foi tomada por meio de uma investigação baseada em provas técnicas. A pasta salienta que o cancelamento já foi comunicado à Justiça e que a banca organizadora está dando todo o andamento necessário para a reaplicação das provas e demais fases dos processos seletivos.


Deixe uma resposta