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O vírus chikungunya é capaz de se espalhar pelo sangue, atingir múltiplos órgãos e causar até danos cerebrais, de acordo com uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outras cinco instituições. O estudo foi publicado nesta semana na revista científica Cell Host & Microbe. As observações indicam que o vírus pode atravessar a barreira que protege o sistema nervoso central.
“Isso mostra uma necessidade de acompanhar o paciente, inclusive aquele que saiu da infecção aguda, que já melhorou. É preciso acompanhar porque essas manifestações podem aparecer um tempo depois da suposta cura”, diz o professor José Luiz Proença Módena, do Instituto de Biologia.
Além de afetar o sistema nervoso, o vírus também pode causar problemas na circulação do sangue, fragilidade vascular, alteração no comportamento de bomba do coração, risco de hipertensão arterial, excesso de líquido nos órgãos e desequilíbrio da imunidade.
A chikungunya também tem uma mudança no padrão dos sintomas. Antes, ela era relatada como uma doença febril e aguda, que causa dor e apresenta sintomas em 70% das pessoas. Cerca de metade dos infectados apresentam inchaço articular e dor aguda, podendo evoluir para artrite crônica. O que foi observado no estudo é que os pacientes estavam evoluindo para casos graves, com uma taxa de frequência mais alta do que o esperado, com sintomas incomuns.
Realizada no Ceará, um dos estados brasileiros mais afetados pela doença, o estudo teve a participação de virologistas, epidemiologistas, médicos, clínicos, físicos e estatísticos da Unicamp e das universidades do Kentucky, nos Estados Unidos; de São Paulo (USP); do Texas Medical Branch, nos EUA; e do Imperial College London, no Reino Unido. O Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) também fez parte da pesquisa.
