Casa Branca afirma que Trump pode usar poder militar para defender liberdade de expressão no Brasil

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 09/09/2025

Secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, durante entrevista coletiva em Washington - Foto: 03/06/2025 REUTERS/Leah Millis

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (9), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está disposto a usar o poder econômico e militar do país para proteger a liberdade de expressão global, com menção específica ao Brasil.

A afirmação foi feita em resposta a uma pergunta do jornalista Michael Shellenberger sobre possíveis novas sanções contra o Brasil, em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado. Leavitt destacou que a liberdade de expressão é uma prioridade da administração Trump, descrita como "a questão mais importante do nosso tempo".

Ela lembrou que o próprio Trump enfrentou censura, referindo-se à suspensão de suas contas em redes sociais após a invasão do Capitólio em 2021. "Tomamos ações significativas em relação ao Brasil, na forma de sanções e tarifas, para garantir que países não punam seus cidadãos dessa forma", afirmou, citando a tarifa de 50% imposta a produtos brasileiros em agosto e sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, incluindo a revogação de vistos e aplicação da Lei Magnitsky.

Embora a porta-voz tenha sinalizado que não há novas medidas planejadas no momento, a menção ao uso de "poder militar" gerou preocupação. A Embaixada dos EUA no Brasil compartilhou a declaração de Leavitt no X, mas omitiu a parte sobre o poder militar. O governo brasileiro, ciente do risco de escalada na crise diplomática, acompanha o julgamento de Bolsonaro, que pode resultar em novas sanções, como cassações de vistos ou medidas financeiras, segundo fontes da administração Trump.

A declaração ocorre em um contexto de tensões bilaterais, agravadas pela ordem executiva de Trump em julho, que classificou o Brasil como uma "ameaça" aos interesses americanos, justificando tarifas com base em supostos ataques à liberdade de expressão e perseguição política contra Bolsonaro. O julgamento no STF, que avalia a conduta do ex-presidente após as eleições de 2022, deve ser concluído esta semana, com o ministro Alexandre de Moraes já tendo votado pela condenação.

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