
Foto: João Euder
A Câmara Municipal de Palmeira dos Índios sediou, nesta quarta-feira (14), uma audiência pública com representantes das empresas Águas do Sertão e Casal, reunindo autoridades municipais, lideranças comunitárias e representantes de aldeias indígenas da região.
O encontro foi motivado por problemas recorrentes no abastecimento de água e no saneamento básico do município, que têm causado revolta e preocupação entre os moradores. A audiência foi proposta pelos vereadores e teve como objetivo garantir maior transparência nas ações das empresas responsáveis pelos serviços públicos e buscar soluções concretas para as demandas da população.
A sessão contou com a presença do promotor de justiça Lucas Mascarenhas e de representantes da OAB, do Executivo municipal e das empresas envolvidas. Representantes de aldeias como Fazenda Canto, Cafurna de Baixo, Boqueirão e Monte Alegre também participaram, denunciando situações graves de desvio de água e exclusão do fornecimento.
O promotor Lucas Mascarenhas destacou a gravidade da situação, informando que procedimentos estão em andamento no Ministério Público e que uma força-tarefa será montada para investigar furtos de água nas adutoras. “Com água você se alimenta, se hidrata, limpa. O que está em jogo é a dignidade humana. Tem gente há mais de 100 dias sem abastecimento”, afirmou.
Representantes da Águas do Sertão reconheceram os problemas e citaram como principais causas as falhas na infraestrutura herdada, os furtos ao longo da adutora e quedas constantes de energia elétrica. Segundo os dados apresentados, apenas 25% a 30% da água captada chega efetivamente às casas da população. A empresa anunciou um pacote de investimentos da ordem de R$ 20 milhões em melhorias no sistema, incluindo a troca de bombas e ampliação da estação de tratamento de água.
Durante a audiência, diversos vereadores se manifestaram cobrando mais comprometimento e agilidade das empresas. Eles questionaram o descumprimento das metas prometidas pela concessionária e criticaram os impactos sociais da má prestação do serviço.
Ao fim da audiência, ficou estabelecida a necessidade de acompanhamento contínuo das ações por parte da Câmara, do Ministério Público e da sociedade civil, com a expectativa de que a força coletiva resulte em avanços reais para o povo de Palmeira dos Índios.

Foto: João Euder
