


Luna tinha menos de 2 anos quando a mãe, Carol Fenner, deu sua primeira entrevista à Crescer. Quatro anos depois, muita coisa mudou: além de forte e resiliente, a menina hoje é dona de uma personalidade marcante — e já soma mais de dez cirurgias, todas realizadas na Rússia.
Luna nasceu com Nevo Melanocítico Congênito (NMC), uma condição rara que causa manchas escuras e profundas na pele, diagnosticada apenas após o parto. Como o NMC pode evoluir para melanomas — um tipo de câncer de pele —, a família, que é brasileira, mas mora na Flórida, Estados Unidos, optou pelas cirurgias de remoção.
Foram procedimentos longos, caros e complexos, mas o fim já está próximo. “Falta apenas uma cirurgia, que será realizada no ano que vem, também na Rússia, para finalizar toda a parte estética e retirar o restante da mancha, para não ter risco de novos cânceres, assim como também corrigir erros médicos cometidos nas primeiras cirurgias”, conta Carol.
A escolha pela Rússia, explica a mãe, foi estratégica. “A mancha escura está saindo, mas a pele da Luna está ficando com aspecto de queimadura. Mesmo assim, a cirurgia na Rússia ainda é considerada a menos agressiva para esse tipo de remoção. Então, lá ainda é a melhor opção”, revela.
Mas mesmo quando a etapa cirúrgica terminar, Luna ainda precisará de acompanhamento. “Sim, esses tipos de tratamentos, que visam amenizar o máximo possível essas marcas, ainda vão durar anos. Então, as cirurgias terminam no ano que vem, mas Luna ainda vai precisar de tratamentos em função das cicatrizes, pois ela tem queloides”, explica Carol.
Paralelamente ao tratamento físico, Luna já enfrenta outro desafio: o preconceito. “Luninha começou no primeiro ano, com novos colegas. Então, ela está passando por tudo de novo — a curiosidade e o bullying.
Semana passada, ela chegou em casa muito chateada, pois uma menina falou que o rosto dela era muito feio. Mas são coisas que ela, infelizmente, vai enfrentar sempre. Vamos tentar fortalecê-la, principalmente com terapia, para aprender a lidar com isso. Quando acontece, ela para de falar e fica sem reação. Há poucos dias, ela falou que quer fazer uma luta para estar preparada para ‘quando acontecer algo ruim’. Eu não queria chegar nesse ponto, mas ela mesma está pedindo”, lamenta.
Hoje, aos 6 anos, Luna tem se tornado cada vez mais consciente da própria imagem. “Ela é muito vaidosa, sempre foi. Então, agora, ela está nessa parte mais aflorada da vaidade, está querendo algumas coisas que não fazia antes — ‘Mãe, coloca a franjinha para frente para cobrir a testa?’, ela pede. Ela quer sair de maquiagem, usar o cabelo solto na frente do rosto... A gente tenta não ficar falando muito, mas tem percebido, pelas atitudes dela, que tem mexido com a vaidade dela”, comenta Carol.
Para enfrentar mais uma etapa, a família lançou uma nova campanha de arrecadação. “Agora, estamos angariando os fundos para as despesas para essa próxima cirurgia. Só de passagens aéreas, são cerca de 30 a 35 mil reais, além de moradia e alimentação por três meses. Então, precisamos reunir R$ 60 mil. O valor da cirurgia, que está orçada em U$ 15 mil (o equivalente a cerca de R$ 79 mil), uma instituição da Rússia se propôs a custear. Mas precisamos dos custos”, explica Carol.