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O Brasil registrou o maior crescimento no uso de deepfakes para fraudes em toda a América Latina, segundo o 5º Relatório Anual Identity Fraud Report 2025-2026, divulgado pela empresa de verificação de identidade Sumsub. Entre 2024 e 2025, o país teve alta de 126% nesse tipo de golpe, tornando-se responsável por quase 39% de todos os deepfakes detectados na região.
O estudo analisou mais de 4 milhões de tentativas de fraude e entrevistou 300 profissionais de risco e 1.200 usuários, revelando que, embora o número total de ataques tenha se estabilizado globalmente, a sofisticação dos golpes disparou 180% em 2025. A manipulação de telemetria — quando fraudadores alteram dados de dispositivos, câmeras e APIs para enganar sistemas — se tornou uma das principais ameaças.
Na América Latina e no Caribe, as fraudes aumentaram 13,3% no período, e 86% dos especialistas consultados afirmaram que os golpes estão mais sofisticados e impulsionados por inteligência artificial. Cerca de 43% das empresas da região foram vítimas de fraude este ano, principalmente phishing, mas menos da metade reportou os crimes às autoridades.
Entre os usuários, 68% foram vítimas de algum golpe em 2025, incluindo redes sociais hackeadas, perda de acesso a contas governamentais e abordagens para atuar como “mulas de dinheiro”.
O relatório também revela que 1 em cada 50 documentos falsificados em 2025 foi criado por IA, usando ferramentas como ChatGPT, Grok e Gemini. A expectativa da Sumsub é que, já no próximo ano, agentes de fraude operados por IA consigam executar golpes completos, desde a criação de identidades falsas até a verificação em tempo real.
Para especialistas, as empresas precisarão acelerar a adoção de defesas baseadas em IA, incluindo biometria comportamental, múltiplas etapas de verificação e monitoramento contínuo, para enfrentar a nova geração de fraudes digitais.
