


O Brasil deve alcançar uma dívida pública equivalente a 96,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, entrando no grupo das 30 economias mais endividadas do mundo, segundo levantamento do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). O principal desafio brasileiro, de acordo com o estudo, é o elevado custo dos juros para financiar a dívida.
Cerca de 95% da dívida pública brasileira é denominada em reais e financiada pelo mercado doméstico, o que reduz a exposição do país a dificuldades de financiamento em moeda estrangeira. O Brasil também possui reservas internacionais e um mercado financeiro considerado capaz de absorver novas emissões de títulos públicos.
Apesar disso, o país apresenta a maior proporção de juros pagos sobre a dívida entre as economias da América Latina, equivalente a 7,25% do PIB no cálculo comparável do IIF. Dados nacionais citados no levantamento apontam que os juros nominais do setor público chegaram a R$ 1,16 trilhão nos 12 meses encerrados em junho.
A projeção do FMI indica ainda que a dívida brasileira pode chegar a 106,5% do PIB em 2031, em um cenário de deterioração gradual das contas públicas, e não de uma crise imediata.
A Bolívia, com dívida estimada em 102% do PIB, também aparece entre as 30 economias mais endividadas. O país, porém, enfrenta uma situação considerada mais vulnerável devido à escassez de dólares, às baixas reservas e ao fato de 41,1% de sua dívida corresponder a compromissos externos.
No ranking mundial, o Japão lidera entre as economias mais endividadas, com dívida equivalente a 204,4% do PIB, seguido por Singapura (171,9%) e Sudão (169,1%). Bahrein, Itália, Grécia, Senegal, Maldivas, Estados Unidos e Ucrânia completam as dez primeiras posições.
