
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O Brasil assumiu, nesta quinta-feira (3), a presidência do Mercosul para o segundo semestre deste ano e apresentou um conjunto de prioridades que guiarão sua gestão à frente do bloco. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 66ª Cúpula do Mercosul, realizada em Buenos Aires, na Argentina, onde recebeu o comando do bloco das mãos do presidente argentino, Javier Milei.
Entre os principais objetivos estão: ampliação comercial, promoção da transição energética, desenvolvimento tecnológico, combate ao crime organizado e enfrentamento das desigualdades sociais. Lula ressaltou que, diante de um cenário global “instável e ameaçador”, o Mercosul representa um refúgio e um instrumento de proteção e fortalecimento para os países da região.
Lula destacou como prioridade a ampliação do comércio entre os países do bloco e com parceiros externos, com o objetivo de concluir o acordo Mercosul-União Europeia, considerado o mais relevante no momento. Também citou o recente avanço nas negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) e os esforços para novos acordos com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Panamá e República Dominicana, além da atualização dos tratados com Colômbia e Equador.
O Brasil também quer fortalecer a Tarifa Externa Comum (TEC), apesar da recente ampliação das exceções ao regime, aprovada durante a presidência argentina, que permite maior flexibilidade na aplicação das tarifas.
A presidência brasileira deverá intensificar os esforços na agenda ambiental, com a proposta do programa Mercosul Verde, que visa fortalecer a agricultura sustentável e estabelecer padrões comuns de sustentabilidade. Lula enfatizou os impactos das mudanças climáticas na região e a urgência de medidas conjuntas para enfrentar o problema, incluindo a cooperação no uso de minerais críticos essenciais para a transição energética.
Outro pilar da presidência brasileira será o desenvolvimento tecnológico. O país pretende avançar em iniciativas regionais na área da inteligência artificial, soberania digital e tecnologias da saúde. Lula defendeu a criação de centros de dados na região e a ampliação de capacidades computacionais locais, além de investimentos em vacinas e medicamentos para reduzir vulnerabilidades expostas pela pandemia.
No campo da segurança, o Brasil propõe aprofundar a cooperação regional no combate ao crime organizado, apoiando a criação de uma agência contra o crime transnacional e fortalecendo iniciativas como o Comando Tripartite da Tríplice Fronteira e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia.
Lula também ressaltou o compromisso do Brasil com a redução das desigualdades e a inclusão social, prometendo fortalecer o papel do Instituto Social do Mercosul e do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos. O presidente anunciou ainda a retomada da Cúpula Social do bloco e a realização de uma Cúpula Sindical.
Ao encerrar seu discurso, Lula reforçou a importância do Mercosul como ferramenta de integração e desenvolvimento para a região: “Estar no Mercosul nos protege e nos credencia como parceiros confiáveis no cenário global. Só com diálogo e inclusão construiremos um progresso duradouro.”
