
Foto: Reuters/Ueslei Marcelino
Nesta quinta-feira (8), o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), foi alvo da operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal (PF), que investiga um grupo que pode ter atuado para mantê-lo na presidência através de uma tentativa de golpe de Estado. Em entrevista à CNN, Bolsonaro negou ter articulado um golpe depois da derrota nas urnas.
“Ninguém entende essa ‘tentativa de golpe’. Não se movimentou um soldado em Brasília para dar golpe em ninguém aí”, disse o ex-governante. “O que querem em cima do Valdemar [presidente do PL]? Busca e apreensão em cima do partido. O que querem fazer com o partido? Nosso partido é propagador de fake news?”, questionou. “A gente fica pensando num monte de coisa aqui”.
Na manhã de hoje, a PF determinou que o ex-presidente tem até 24h para entregar seu passaporte. Durante a entrevista, ele afirmou que estava providenciando. Apesar disso, Bolsonaro afirmou que ainda não sabia o que estava acontecendo sobre a ação como um todo. “Por enquanto, ainda estou no ar”, disse.
Segundo o portal de notícias do UOL, a PF está em posse de um vídeo, gravado em 5 de julho de 2022 e apreendido na casa do tenente-coronel Mauro Cid, que mostra Bolsonaro e aliados em uma reunião. Uma transcrição da gravação aparece na decisão do ministro Alexandre de Moraes, para justificar a operação da Polícia Federal.
“E eu tenho falado com os meus 23 ministros. Nós não podemos esperar chegar 23, olhar para trás e falar: o que que nós não fizemos para o Brasil chegar à situação de hoje em dia? Nós temos que nos expor. Cada um de nós. Não podemos esperar que outros façam por nós. Não podemos nos omitir. Nos calar. Nos esconder. Nos acomodar. Eu não posso fazer nada sem vocês. E vocês também patinam sem o Executivo. Os poderes são independentes, mas nós dois somos irmãos. Temos um primo do outro lado da rua que tem que ser respeitado também. Mas todo mundo que quer ser respeitado tem que respeitar em primeiro lugar. E nós não abrimos mão disso”, diz um trecho da fala do ex-presidente.
A seguir, leia outro trecho:
“Nós vamos esperar chegar 23, 24? Depois perguntar: por que que não tomei providência lá trás? E não é providência de força não! Não é dar tiro. Ô PAULO SÉRGIO [Nogueira, ex-ministro da Defesa], vou botar a tropa na rua, tocar fogo aí, metralhar. Não é isso!”.
Há também falas do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, falando sobre trazer à tona a relação do Partido dos Trabalhadores (PT) com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
"Estamos aí, Presidente, desentranhando a velha relação do PT com o PCC. A velha relação do PT com o PCC. Isso tá vindo aí através de depoimentos que estão há muito guardados aí... isso aí foi feito ó. Tá certo? Isso tudo tá vindo à tona. Isso não é mentira. Isso não é mentira. Então, muita coisa está vindo à tona aí. Muita coisa que a população é ... sabe, mas tudo precisa ser rememorado. Tá certo? Então, essa questão das urnas, essa questão dos inquéritos, nós montamos um grupo lá ? é ... é ... é ... O Diretor Geral da Polícia Federal montou um grupo de policiais federais. E agora uma equipe completa. Não só com peritos. Mas com delegados, com peritos, com agentes pra poder acompanhar, realmente, o passo a passo das eleições", diz Torres.
Por fim, há uma fala do general Augusto Heleno, onde é dito que “o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições”, porque chegaria o ponto onde não poderiam mais falar. “Nós vamos ter que agir. Agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso pra mim é muito claro”, afirmou.
