
Bolsonaro - Foto: Vinícius Schmidt
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou, nesta terça-feira (26), o sigilo do relatório da Polícia Federal que indiciou 37 pessoas por uma suposta trama golpista após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Entre os indiciados, está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquadrado por tentativas de golpe de Estado e de abolição do Estado democrático de direito, além de organização criminosa. Somadas, as penas máximas desses delitos chegam a 30 anos de prisão.
O documento de 884 páginas detalha a participação de Bolsonaro e seu entorno na investida antidemocrática, com uma divisão entre seis núcleos. Entre os indícios da participação do ex-presidente, a PF apresenta, por exemplo, depoimentos dos ex-comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior.
Esse é o terceiro indiciamento de Bolsonaro em investigações realizadas pela Polícia Federal. Antes, foram as apurações envolvendo uma fraude nos cartões de vacina e a venda de joias recebidas como presente ao Brasil de nações estrangeiras.
Bolsonaro e outros indiciados negam
Em diversas ocasiões, Bolsonaro negou ter participado de qualquer trama golpista. Ele atribuiu a conclusão do caso à "perseguição política".
"Nunca debati golpe com ninguém. Se alguém viesse falar de golpe comigo, eu perguntaria: E o day after? Como a gente fica perante o mundo?. A palavra golpe nunca esteve no meu dicionário. Jamais faria algo fora das quatro linhas da Constituição. Dá pra resolver tudo nas quatro linhas" — afirmou o ex-presidente ao desembarcar em Brasília após uma temporada em Alagoas.
Bolsonaro também afirma que a chamada "minuta do golpe", documento que circulou em seu governo com o objetivo de anular o resultado das eleições, era apenas um decreto de estado de defesa, que não poderia ser instituído sem autorização do Parlamento.
Os ex-ministros Braga Netto (Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e mais 33 pessoas, negam ter participado da trama golpista.
Padre indiciado
O padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, um dos 37 indiciados pela Polícia Federal por envolvimento em um suposto plano de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder - teria criado uma "oração ao golpe" logo após a eleição de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso.
A informação consta do relatório de 884 páginas da Polícia Federal da investigação que apura uma trama golpista, a partir da análise de dados armazenados do aparelho do padre.
